Sessão parlamentar com brigas e empurrões acirra tensão política em Hong Kong

Parlamentares entraram em conflito por presidência de comitê que deve votar projetos controversos

Hong Kong | Reuters

Uma briga entre parlamentares rivais no conselho legislativo de Hong Kong nesta sexta-feira (8) deu sinais da crescente tensão política à medida que os efeitos da pandemia de coronavírus diminuem na ex-colônia britânica.

De um lado, os legisladores pró-democracia. De outro, defensores do regime chinês. Houve gritaria, empurrões e até cartazes que alguns parlamentares portavam foram usados na troca de agressões.

A confusão começou cerca de uma hora antes do início da sessão de um comitê que deve votar projetos controversos, como a criminalização do desrespeito ao hino nacional e as leis de segurança nacional que provocaram protestos em massa.

 Eddie Chu Hoi-dick, parlamentar pró-democracia, tenta passar por cima de adversários para alcançar a cadeira da presidência
Eddie Chu Hoi-dick, parlamentar pró-democracia, tenta passar por cima de adversários para alcançar a cadeira da presidência - Anthony Wallace - 8.mai.20/AFP

Os parlamentares correram para ocupar o lugar deixado vazio após o término de uma reunião anterior. Starry Lee, pró-Pequim e atual presidente do comitê, foi a primeira a alcançar a cadeira.

"Eu tenho o direito de começar esta reunião", disse ela, membro da Aliança Democrática pela Melhoria de Hong Kong, que tentou presidir a reunião por trás de um "muro" formado por cerca de duas dúzias de seguranças da casa.

Os membros do conselho então se amontoaram, e a confusão durou mais de uma hora.

O legislador e ativista social Eddie Chu Hoi-dick tentou passar por cima da multidão pró-Pequim para alcançar a cadeira e foi removido da sala por quatro seguranças que o carregaram pelos braços e pernas. Outros parlamentares foram arrastados e derrubados.

No controle do microfone, Lee baniu os membros pró-democracia da sala, alertando-os sobre a violação do regimento da sessão.

Os democratas argumentaram que a obstrução de leis é uma prática internacional estabelecida e usaram cartazes e palavras de ordem para pedir a renúncia de Lee. Eles têm defendido que o comitê precisa eleger um novo presidente antes que qualquer lei seja aprovada.

Claudia Mo, parlamentar pró-democracia, foi atingida por um dos cartazes, e a sessão foi suspensa por alguns minutos para atendimento médico de outras pessoas feridas.

O tumulto desta sexta-feira (8) remete a cenas semelhantes durante as sessões que discutiram a lei de extradição para a China. O projeto, retirado pela chefe-executiva de Hong Kong, Carrie Lam, levou milhões de manifestantes às ruas no segundo semestre de 2019.

Os protestos foram marcados por conflitos violentos entre policiais e manifestantes pró-democracia. Pequim rejeita as críticas de que está tentando corroer liberdades.

Freadas pelo distanciamento social em meio à pandemia de coronavírus, as manifestações devem ser retomadas ainda neste ano.

Nesta sexta, dezenas de manifestantes se reuniram em um shopping no centro de Hong Kong e cantaram hinos de protesto antes de serem dispersados pela polícia.

Em abril, 15 ativistas foram presos, incluindo políticos veteranos e advogados.

O gabinete de assuntos da China em Hong Kong alertou na quarta-feira (6) que a cidade nunca ficaria calma a menos que "manifestantes violentos vestidos de preto" fossem todos removidos, descrevendo-os como um "vírus político" que busca a independência de Pequim.

Uma guerra de palavras se intensificou nas últimas semanas, com a principal autoridade de Pequim em Hong Kong pedindo ao governo local que promova a legislação de segurança nacional "o mais rapidamente possível", alimentando preocupações sobre o que muitos vêem como maior invasão às liberdades do território.

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