Pentágono bane uso de bandeira confederada em instalações militares dos EUA

Símbolo é usado por supremacistas brancos e considerado racista por ativistas negros

Washington | Reuters

O secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, vetou nesta sexta (17) o uso em instalações militares americanas de bandeiras e símbolos que possam ser ofensivos, o que inclui a bandeira confederada.

O emblema foi adotado como símbolo do supremacismo branco, e sua utilização é questionada por ativistas negros, que a consideram uma ofensa, uma vez que a bandeira representou os estados do sul, contrários à abolição da escravidão, durante a Guerra Civil americana (1861-1865).

Eles foram derrotados pelos estados do Norte, que reunificaram o país e deram liberdade aos negros.

Membro da Ku Klux Khan com bandeira confederada durante ato em Charlottesville, na Virgínia - Andrew Caballero-Reynolds - 8.jul.2017/AFP

"As bandeiras que ostentamos devem estar de acordo com os imperativos militares de boa ordem e disciplina, de tratamento igualitário e respeitoso a todas as pessoas e de rejeição a simbolos divisivos", disse Esper em um memorando distribuído às Forças Armadas.

"A decisão não nomeia uma bandeira proibida específica, de modo a garantir que a medida seja apolítica e resista a possíveis questionamentos políticos relacionados à liberdade de expressão."

Muitas bases militares já haviam banido o uso de bandeiras confederadas, mas a ordem do secretário é de abrangência total e vale para as instalações militares dos EUA em todo o mundo.

Após a Guerra Civil, a bandeira confederada passou a ser usada por supremacistas brancos, e ativistas antirracismo pedem a retirada do símbolo de prédios oficiais, pela ligação com a defesa da escravidão.

No entanto, apoiadores do emblema, entre eles o presidente Donald Trump, defendem seu uso.

Afirmam que ele representa a herança cultural desses estados e que as homenagens a generais confederados, que batizam bases militares dos EUA, são uma forma de lembrar os mortos que lutaram pelo lado derrotado.

A decisão pode elevar a tensão entre o secretário e Trump, que defende a utilização da bandeira com base no direito à liberdade de expressão e também se opôs à retirada dos nomes de confederados de bases militares.

O presidente americano tem sido acusado de estimular as tensões raciais como parte de sua campanha à reeleição, para tentar atrair eleitores radicais de direita.

Esper teve outro atrito com Trump em junho, quando foi contrário a um pedido para enviar soldados do Exército para conter protestos antirracistas pelo país, desencadeados após o assassinato de George Floyd, homem negro asfixiado por um policial branco, em 25 de maio.

A onda de manifestações levou a uma campanha para a retirada de símbolos considerados racistas, incluindo estátuas, bandeiras e nomes e embalagens de produtos.

Em junho, o estado americano do Mississippi aprovou a exclusão do emblema confederado de sua bandeira. A lei, já sancionada pelo governador Tate Reeves, prevê a formação de uma comissão para desenhar uma novo ícone sem o símbolo contestado e com a frase "Confiamos em Deus".

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