Descrição de chapéu Eleições EUA 2020

Americanos elegem de representante de conspiração a deputado morto

Congresso americano deve ser menos democrata do que projetavam pesquisas

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São Paulo

Contrariando as pesquisas eleitorais, o Partido Democrata deve ter um desempenho muito abaixo do esperado no Congresso americano.

No Senado, considerado crucial para determinar o alcance do poder do próximo presidente, os republicanos mantiveram a maioria dos 35 lugares em disputa, mas os democratas ampliaram sua participação.

Dos 23 assentos do partido que estavam em jogo, os republicanos haviam vencido 18 até a manhã desta quinta-feira (5) —sendo dois invertidos em relação à posição anterior. Já os democratas conseguiram ampliar seus 12 assentos em disputa para 13, com uma inversão. Há ainda quatro lugares sem definição, e a Casa, considerando também os assentos que não estavam em disputa, estava dividida, com 48 representantes de cada partido. O Senado americano tem 100 assentos.

Na Câmara dos Representantes, onde são maioria atualmente, os democratas elegeram ao menos 205 deputados (precisavam ainda de 13 para manter o controle da Casa). No entanto, viraram apenas dois assentos, contra oito dos republicanos. Por enquanto, o partido de Donald Trump tem 190 representantes eleitos. Ainda há 40 postos sem definição. A Casa tem 435 lugares.

Os congressistas eleitos em 2020 formam um grupo extremamente diverso, que vai de uma simpatizante da teoria da conspiração QAnon a uma militante do movimento Black Lives Matter —e até um candidato que morreu um mês antes da eleição em decorrência da Covid-19.

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Alexandria Ocasio-Cortez, deputada democrata reeleita, em seção de votação em Nova York - Andrew Kelly/Reuters

Alexandria Ocasio-Cortez

Fenômeno nas redes sociais e principal expoente da ala de esquerda do Partido Democrata, AOC se reelegeu na Câmara dos Representantes com 68,8% dos votos. Autora do Green New Deal, projeto de transição dos EUA para uma economia de carbono zero, representa o 14º distrito de Nova York, no Bronx.


Deputada Ayanna Pressley em protesto contra o racismo em Washington
Deputada Ayanna Pressley em protesto contra o racismo em Washington - Michael M. Santiago/Pool via Reuters/File Photo

Ayanna Pressley

Também integrante da ala de esquerda do Partido Democrata, Pressley foi reeleita para representar o 7º distrito de Massachusetts na Câmara. Foi a primeira mulher negra a ser eleita ao Congresso pelo estado e, antes disso, a primeira vereadora negra de Boston.


Cori Bush acompanha apuração das eleições em St. Louis, Missouri - Michael B. Thomas/Getty Images/AFP

Cori Bush

Ativista do movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam), liderou protestos contra a violência policial em Ferguson em 2015. Eleita para a Câmara dos Representantes pelo 1º distrito de Missouri, é a primeira mulher negra a representar o estado no Congresso. Enfermeira e mãe solo, deve se aliar ao chamado “esquadrão”, grupo de deputadas da ala de esquerda do Partido Democrata.


Retrato de David Andahl
David Andahl, eleito deputado nos EUA, morreu em outubro vítima de Covid-19. - Reprodução/Facebook

David Andahl

Eleito deputado estadual na Dakota do Norte, Andahl morreu em 5 de outubro após ficar quatro dias internado com Covid-19. Republicano, o criador de gado e construtor terá um substituto temporário escolhido por seu partido até que uma eleição especial seja realizada. Andahl é o sexto candidato a ser eleito de forma póstuma no país desde 2000.


Senador americano Mitch McConnell
Senador americano Mitch McConnell - Bryan Woolston/Reuters

Mitch McConnell

Republicano de Kentucky, McConnell é o líder da maioria do Senado desde 2015. Decano da casa, foi eleito pela primeira vez em 1984 e é o senador de seu partido a ficar mais tempo no cargo. Aliado próximo de Trump, impediu que um juiz indicado por Barack Obama fosse aprovado para a Suprema Corte em 2016 sob o pretexto de que faltava pouco tempo para a eleição (faltavam oito meses), mas se apressou em defender a aprovação da juíza Amy Coney Barrett a oito dias do pleito.


Ritchie Torres, político de Nova York que se tornou o primeiro membro negro do Congresso que se declara gay - Reprodução/Facebook

Ritchie Torres

Gay, negro e latino, Torres irá representar o 15º distrito de Nova York na Câmara, que corresponde a parte do Bronx, pelo Partido Democrata. Vereador da cidade desde 2013, ele foi o membro mais jovem a ser eleito para a Câmara Municipal —então com 24 anos— e o primeiro homossexual a representar o Bronx no órgão. É um dos dois primeiros homens negros e gays a serem eleitos para o Congresso, ao lado de Mondaire Jones, deputado do 17º distrito de Nova York.


Sarah McBride, primeira trans eleita senadora estadual - Saul Leoeb/AFP

Sarah McBride

Ativista LGBT e ex-estagiária da Casa Branca na gestão Barack Obama (2009-2017), Sarah McBride será a primeira senadora estadual trans do país —e a pessoa trans com o cargo oficial mais alto nos EUA. Eleita por Delaware, ela ganhou por ampla margem (73,3% dos votos) do concorrente republicano em seu distrito, Steve Washington.


Senadora americana Susan Collins em comício no Maine - Elizabeth Frantz/Reuters

Susan Collins

A senadora republicana pelo Maine foi reeleita com 50,3% dos votos (contra 43% de sua concorrente democrata, Sara Gideon). A vitória foi um golpe nas pretensões do Partido Democrata de retomar o controle do Senado, onde os republicanos têm maioria desde as eleições de 2014. Collins representa o estado na câmara alta desde 1997.


O senador republicano Tom Cotton - Drew Angerer/Pool via Reuters

Tom Cotton

Ex-deputado da Câmara dos Representantes, o republicano foi reeleito senador pelo Arkansas, cadeira que já ocupava desde 2015. Veterano das guerras do Afeganistão e Iraque, ele protagonizou um dos episódios mais controversos da imprensa americana depois de publicar um artigo de opinião no New York Times pedindo que os militares agissem contra os manifestantes do Black Lives Matter que protestavam contra a morte de George Floyd. O jornal foi alvo de críticas por ter publicado o texto, e um dos editores pediu demissão.


O senador republicano Lindsey Graham - Sam Wolfe/Reuters

Lindsey Graham

Senador desde 2003, foi reeleito pela Carolina do Sul, em uma disputa contra o democrata Jaime Harrison que, segundo as pesquisas eleitorais, estava apertada. Conservador e próximo de John McCain, ele foi crítico da candidatura de Donald Trump em 2016, mas se tornou um aliado depois que o presidente assumiu o cargo.


Marjorie Taylor Greene, eleita senadora nos EUA - Elijah Nouvelage/Reuters

Marjorie Taylor Greene

Eleita deputada pela Geórgia com três quartos dos votos, a republicana representa a chegada ao Congresso do grupo conspiracionista de extrema direita QAnon, que, sem base em fatos, alega que existe uma conspiração mundial envolvendo artistas e políticos pelo tráfico sexual de crianças. Durante a campanha, no entanto, Greene tentou se afastar do grupo.


Madison Cawthorn

Eleito para a Câmara dos Representantes pela Carolina do Norte aos 25 anos, é o republicano mais jovem a ocupar um assento na casa, com a idade mínima para o posto. Trumpista convicto, ele foi acusado de assédio sexual e de simpatizar com o nazismo e com supremacistas brancos.


Rashida Tlaib - Rebecca Cook/Reuters

Rashida Tlaib

A democrata eleita pelo Michigan foi a primeira mulher de ascendência palestina e uma das duas primeiras muçulmanas a chegar ao Congresso, quando foi eleita deputada em 2019, e compõe o chamado “esquadrão” de parlamentares mulheres, progressistas e representantes de minorias étnicas.


Ilhan Omar

De origem somali, é a primeira mulher não-branca e a primeira deputada nascida na África a representar o estado de Minnesota na Câmara dos Representantes, em 2019. Como Rashida Tlaib, também é uma das duas primeiras deputadas muçulmanas. Expoente da ala de esquerda do Partido Democrata, reelegeu-se com 64,6% dos votos.

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