Ataque hacker contra governo dos EUA atingiu dezenas de contas de email do Tesouro

Rússia é principal suspeita de operação para acessar arquivos de agências e empresas americanas

Washington | Reuters

Dezenas de contas de email do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos foram comprometidas pelo imenso ataque hacker descoberto na semana passada contra agências federais norte-americanas, afirmou o senador Ron Wyden nesta segunda-feira (21).

Segundo ele, a Microsoft notificou a agência e comunicou a invasão das contas e o acesso pelos hackers aos sistemas da divisão de Escritórios Departamentais do Tesouro, que abriga os funcionários de alto-escalão.

Wyden, o democrata mais graduado do Comitê de Finanças do Senado e um crítico frequente das agências de inteligência dos EUA, afirmou que o grupo de parlamentares foi informado de que o ataque parece ter sido significativo.

“O Tesouro sofreu uma invasão grave, que se iniciou em julho, cuja profundidade total não é conhecida", disse ele em um comunicado.

Secretaria do Tesouro, em Washington; órgão foi alvo de ataques hackers
Secretaria do Tesouro, em Washington; órgão foi alvo de ataques hackers - Andrew Kelly - 30.ago.20/Reuters

"O Tesouro ainda não tem conhecimento de todas as ações realizadas por hackers, nem sabe precisamente quais informações foram roubadas", disse o senador, que também afirmou que a Receita Federal americana não encontrou indícios dos ataques e que os dados dos contribuintes não foram afetados .

A declaração de Wyden carregou um tom consideravelmente mais pessimista do que o adotado pelo secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, que disse à CNBC no início do dia que "a boa notícia é que não houve danos, nem vimos grandes quantidades de informações deslocadas."

"Posso garantir que estamos completamente no controle da situação", afirmou ele.

O Tesouro se recusou a comentar as declarações de Mnuchin e não retornou imediatamente uma mensagem solicitando respostas sobre a declaração de Wyden.

Um assessor do senador disse que os hackers conseguiram acessar os emails dos funcionários do Tesouro que são hospedados em servidores da Microsoft depois de assumir o controle da chave criptográfica usada pela infraestrutura de "login único" do Tesouro —um serviço usado em muitas organizações para que os funcionários possam acessar uma variedade de serviços com um único nome de usuário e senha.

O assessor citou funcionários do Tesouro dizendo que o email de Mnuchin não estava entre os afetados.

A Microsoft não retornou uma mensagem pedindo comentários.

O governo americano e especialistas em segurança cibernética em vários países ainda tentam compreender os ataques, que teriam começado no início deste ano, quando a empresa de software SolarWinds foi hackeada e usada como um trampolim para acessar camadas profundas das redes governamentais e corporativas.

Autoridades americanas de alto escalão —incluindo o secretário de Estado, Mike Pompeo— culparam a Rússia pela operação de espionagem, embora algumas autoridades e especialistas tenham dito à Reuters que é muito cedo para saber ao certo quem está por trás das ações.

O Kremlin negou qualquer envolvimento. O presidente republicano Donald Trump, que passou grande parte de seu mandato defendendo a Rússia de várias alegações de invasão e interferência, minimizou o episódio e levantou a possibilidade de que a China possa estar envolvida.

Na segunda-feira, o secretário de Justiça, William Barr, tornou-se o mais recente aliado de Trump a romper com o presidente sobre o assunto, dizendo em uma entrevista coletiva que concordava com a avaliação de Pompeo: "Certamente parecem ser os russos, mas não vou entrar em detalhes".

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