Descrição de chapéu Brexit

Após fim do brexit, Boris reitera oposição à independência da Escócia

Premiê britânico reage a declaração de sua homóloga escocesa e nega possibilidade de novo referendo

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Londres | AFP

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, reiterou neste domingo (3) sua oposição à realização de um novo referendo sobre a independência da Escócia, cujo governo expressou novamente o desejo de deixar o Reino Unido e retornar à lista de países-membros da União Europeia (UE).

"O único apontamento que eu gostaria de fazer é que, pela minha experiência, referendos neste país não são eventos particularmente felizes", disse Boris, em entrevista à BBC, fazendo referência às profundas divisões causadas pela consulta sobre o brexit em 2016.

"[Referendos desse tipo] não têm uma força unificadora notável no clima nacional, eles deveriam acontecer apenas uma vez por geração", acrescentou o premiê, classificando como "um bom intervalo" o período de 41 anos entre a consulta de 2016 e a de 1975, quando os britânicos votaram sobre a permanência do país na Comunidade Econômica Europeia (CEE).

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, durante entrevista concedida à BBC, em Londres
O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, durante entrevista concedida à BBC, em Londres - Jeff Overs - 3.jan.21/BBC via AFP

Após mais de quatro anos de negociações, o divórcio entre Reino Unido e UE ocorreu formalmente em janeiro de 2020. Durante todo o ano passado, britânicos e europeus viveram um período de transição até a oficialização da separação com regras para diversos temas que começaram a valer em 1º de janeiro.

No mesmo dia, a primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, afirmou que a consumação do brexit tornou a independência de seu país ainda mais importante. O tema, segundo ela, será o centro da campanha de seu partido nas eleições parlamentares marcadas para maio.

“A Escócia estará de volta em breve, Europa. Mantenha a luz acesa”, escreveu ela em rede social, nas primeiras horas do novo ano.

Dos países que formam o Reino Unido, a Escócia foi o que mais se opôs à ruptura com a UE no referendo que aprovou o brexit em 2016: 62% dos escoceses votaram contra o divórcio —considerando os britânicos como um todo, 51,9% votaram a favor da saída.

Segundo Sturgeon, a questão principal não é se desligar do Reino Unido, mas fazer respeitar a vontade dos escoceses. “Trata-se do direito das pessoas de decidirem a forma de governo mais adequada às suas necessidades. Esse direito nunca foi tão importante, dada a ameaça que o brexit representa para o internacionalista”, escreveu ela em artigo publicado na sexta no site jornalístico Politico.

Em 2014, 55% dos escoceses disseram "não" à independência, mas os últimos levantamentos sobre o tema mostram que se a mesma pergunta for feita hoje, o resultado pode ser diferente.

Realizada em novembro, uma pesquisa do instituto Ipsos Mori, 56% dos que já tinham opinião formada disseram ser favoráveis à independência e 44%, contrários. Do total, 6% se disseram indecisos —mas ainda que todos ele fossem contra a independência, o sim venceria com 53%.

Cabe a Boris a decisão de permitir a realização do referendo. Desde 2019, quando assumiu o cargo de premiê, o líder conservador tem se posicionado contra uma nova consulta —postura reiterada pelas declarações na entrevista à BBC.

As sucessivas vitórias do partido de Sturgeon na Escócia, entretanto, tornam mais difícil para Londres continuar dizendo "não" e deixam a independência em um cenário cada vez mais provável.

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.