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Após Google e Apple, Amazon rompe com Parler e deixa de hospedar app conservador

Decisão de big tech deve impedir temporariamente acesso à plataforma que atraiu apoiadores de Trump

São Paulo e Nova York | AFP

A Amazon anunciou que deixará de hospedar em seus servidores a rede social Parler, apreciada por extremistas de direita nos Estados Unidos e acusada de espalhar conteúdo de ódio. A decisão ocorre depois de Google e Apple retirarem o aplicativo de suas lojas.

O gigante da tecnologia suspenderá a conta da plataforma a partir das 5h (horário de Brasília) de segunda (11) e, assim, deve impedir temporariamente o acesso à rede, a menos que ela encontre uma nova empresa para hospedar seus serviços. Em carta enviada ao Parler e divulgada pelo site BuzzFeed, a Amazon diz ter "observado recentemente um aumento persistente de conteúdo violento".

"Levando em consideração os lamentáveis acontecimentos ocorridos nesta semana em Washington, existe risco real de que esse tipo de conteúdo incite mais violência", afirma a companhia, em referência à invasão do Congresso por apoiadores do atual presidente dos EUA, Donald Trump, na quarta (6).

Após o republicano ser banido permanentemente do Twitter e ao menos até a posse de Joe Biden do Facebok e do Instagram, seus apoiadores buscaram uma alternativa e encontraram no Parler o seu lugar.

No entanto, a plataforma que se diz opção de "discurso livre" por não ter moderação de conteúdo foi removida das lojas de aplicativo da Apple neste sábado (9), após o Google já ter feito o mesmo na sexta-feira (8), ao menos até que o Parler passe a adotar critérios para excluir publicações.

Apoiador de Donald Trump protesta contra resultado da eleição americana, em Denver, no Colorado
Apoiador de Donald Trump protesta contra resultado da eleição americana, em Denver, no Colorado - Michael Ciaglo - 6.jan.21/AFP

A Apple justificou sua decisão em carta à rede social, afirmando que "as medidas descritas são inadequadas para lidar com a proliferação de conteúdo perigoso e questionável" no aplicativo. "O Parler não sustentou seu comprometimento em moderar e remover conteúdo prejudicial ou danoso, encorajando violência e atividade ilegal, e não está de acordo com as regras da App Store."

A empresa havia dado 24 horas para que a rede social detalhasse seu plano de moderação, apontando usuários que utilizaram a plataforma para coordenar a invasão do Capitólio.

Segundo a agência de notícias Reuters, o diretor-executivo do Parler, John Matze, afirmou que a Apple estava banindo o serviço até que a plataforma desista da liberdade de expressão e institua "políticas amplas e invasivas como o Twitter e o Facebook".

"Eles alegam que é devido à violência na plataforma. A comunidade discorda, pois alcançamos o número 1 [entre aplicativos gratuitos para iPhone] na loja hoje [sábado]", publicou Matze no Parler, de acordo com a Reuters. "Mais detalhes dos nossos próximos planos virão em breve, já que temos muitas opções."

O diretor-executivo admitiu, também em post na própria rede social, que há a possibilidade de o Parler ficar indisponível por até uma semana, "enquanto reconstruímos do zero", e chamou as decisões das empresas de tecnologia de um "ataque coordenado" para acabar com a competição no mercado. "Você pode esperar que a guerra contra a competição e o discurso livre continue, mas não conte conosco."

O movimento de migração do Twitter e do Facebook não começou apenas após o banimento de Trump. Segundo o jornal The New York Times, o Parler se tornou um dos aplicativos de crescimento mais rápido nos últimos meses com a procura de milhões de apoiadores do presidente, depois de as plataformas começarem a marcar os posts do republicano com alertas de desinformação e incitação à violência.

O boom veio neste sábado, quando o aplicativo se tornou o número 1 entre ferramentas gratuitas para iPhones na loja da Apple. A remoção do app das lojas de duas empresas líderes no setor limitam seriamente a habilidade do Parler de encontrar novos usuários e coloca o futuro da plataforma em dúvida.

"Isso é muito grande", afirmou Amy Peikoff, chefe de Política do Parler, à Fox News na sexta, quando a Apple ameaçou a remoção pela primeira vez. Sem acesso à App Store, disse ela, "estamos fritos".

Mais cedo neste sábado, Matze afirmou em uma mensagem de texto ao New York Times que o Twitter recentemente classificou a frase "enforque Mike Pence" como assunto do momento. A maior parte da discussão na rede social, porém, era sobre os invasores do Congresso entoando a frase na quarta-feira.

"Eu não vi nenhuma pista de que a Apple vai atrás deles", disse Matze. "Isso pareceria uma atitude de dois pesos e duas medidas, já que todas as redes sociais enfrentam os mesmos problemas, talvez em uma escala pior." O diretor-executivo ainda acrescentou que o assunto está sendo levado muito a sério.

As remoções deixam claro que as empresas tomarão medidas contra aplicativos que não seguirem as regras de suas lojas, o que deve afetar outras plataformas.

Vários aplicativos pouco conhecidos já tentam atrair apoiadores de Trump com promessas de serem redes sociais "imparciais" e com "liberdade de expressão" –mostrando que são, na verdade, praças digitais livres, em que os usuários dificilmente precisam se preocupar em serem proibidos de divulgar teorias da conspiração, fazer ameaças ou publicar discurso de ódio. Além do Parler, usuários de mídias sociais de direita nos EUA migraram para o app de mensagens Telegram e o site Gab, citando o monitoramento mais agressivo de comentários em plataformas convencionais.

A aplicação de medidas mais rígidas de Apple, Google e Amazon pode impedir que essas ferramentas se tornem alternativas reais. As remoções fazem com que, a partir de agora, esses apps tenham que escolher entre intensificar o policiamento das publicações –minando sua principal característica no processo– ou perder sua capacidade de atingir um público amplo.

Com The New York Times e Reuters

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