Convidada por Biden, líder brasileira diz que desmonte de políticas indígenas piorou com Bolsonaro

Sinéia do Vale representará sociedade civil em evento internacional organizado pelo presidente dos EUA

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Brasília

Convidada para participar da Cúpula de Líderes sobre o Clima, Sinéia do Vale, gestora ambiental do Conselho Indígena de Roraima, disse à Folha que o desmonte de políticas voltadas para as comunidades indígenas no Brasil piorou durante o governo Jair Bolsonaro.

Ela, que será a única brasileira além do presidente a participar do evento internacional, queixa-se da redução de espaços de participação e de interlocução que os indígenas têm junto ao governo.

"Enquanto comunidade, enquanto movimento indígena, nós não paramos. Continuamos fazendo o trabalho, nós estamos criando o espaço para que a gente possa ter nossa voz sempre em evidência", diz.

Sinéia do Vale, gestora ambiental do Conselho Indígena de Roraima, convidada para participar da Cúpula do Clima de Joe Biden
Sinéia do Vale, gestora ambiental do Conselho Indígena de Roraima, convidada para participar da Cúpula do Clima de Joe Biden - Arquivo Pessoal

Sinéia deve participar do painel "Ação Climática em Todos os Níveis", focado na ação da sociedade civil e de governos locais no combate a mudanças climáticas. Michael Regan, administrador da Agência de Proteção Ambiental dos EUA, será o anfitrião do evento, que ocorre horas depois da fala de Bolsonaro.

Sobre os pedidos de financiamento feito pelo governo Bolsoanaro à comunidade internacional, Sinéia afirma que o importante é que os recursos "cheguem à ponta". "Os países que investem nessa questão de fundos de conservação, na implementação de ações que diminuam a questão de emissões, com certeza já têm uma avalição do Brasil. Eles vão averiguar", afirma. "O importante é que o dinheiro também chegue à ponta, para fazer a diferença para quem realmente está trabalhando e cuidando da questão ambiental."

Sinéia disse ainda que pretende levar ao encontro a experiência das comunidades indígenas no enfrentamento ao aquecimento global, já que sua organização trabalha aferindo como as mudanças climáticas afetam a caça, a pesca e a vida social e cultural dos povos tradicionais em Roraima.

"Estou formatando a mensagem, mas quero levar principalmente a estratégia dos povos indígenas na questão do enfrentamento às mudanças climáticas, o que a gente tem feito", afirma.

Ela conta já ter participado de outros eventos internacionais, mas que o convite atual da assessoria da cúpula chegou de forma inesperada, por e-mail. "Achei o evento interessante, não sabia a dimensão."

O governo Bolsonaro soube na terça-feira (20) da participação de Sinéia, ao receber a programação oficial do evento. A cúpula foi arquitetada para ser o marco do retorno dos EUA ao combate ao aquecimento global, agenda abandonada pelo ex-presidente Donald Trump.

Quarenta chefes de Estado foram convidados para dois dias de debates virtuais, dos quais também participarão líderes empresariais e da sociedade civil. O presidente americano Joe Biden quer usar o encontro para mostrar que a meta de limitar o aquecimento global a 1,5 ºC é um dos pilares da atuação de sua administração em política externa. Também funcionará como uma prévia da COP26, reunião global sobre o clima que acontece em Glasgow, na Escócia, em novembro.

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