Estudante é morto no Tennessee após disparar contra policiais

Agente é atingido na coxa e está em situação crítica depois de passar por cirurgia

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São Paulo

Após disparar contra policiais e ferir um deles em um banheiro da escola Austin-East, em Knoxville, no estado do Tennessee, nesta segunda-feira (12), um estudante foi morto por agentes.

O oficial ferido passou por cirurgia após ser atingido na coxa e estava em condições críticas, de acordo com autoridades, mas deve sobreviver.

Polícia atende chamado de ataque a tiros na escola Austin-East Magnet High School, em Knoxville, no Tennessee (EUA)
Polícia atende chamado de ataque a tiros na Austin-East Magnet High School, em Knoxville, no Tennessee (EUA) - Brianna Paciorka/News Sentinel/USA Today Network/Reuters

"Ele está consciente e em boas condições, ele vai ficar bem", afirmou a prefeita Indya Kincannon à emissora americana CBS News. "Eu o agradeci por colocar sua vida em risco para proteger alunos e funcionários da escola. Ele disse que preferia que ele se ferisse no lugar de qualquer outra pessoa."

No meio da tarde, a polícia de Knoxville atendeu a um chamado de que havia um homem armado na escola, encontrando o suspeito no banheiro. "Assim que os agentes entraram no local, o suspeito realizou disparos, atingindo um oficial. O suspeito foi declarado morto no local e foi identificado como um estudante da [escola] Austin-East", explicou David Rausch, diretor da Agência de Investigação do Tennessee, em uma entrevista coletiva na noite desta segunda.

Como há um policial envolvido no caso, a agência comanda a investigação. Na mesma entrevista, Eve Thomas, chefe da polícia de Knoxville, chamou o incidente de assustador. Inicialmente, as autoridades locais disseram haver diversas vítimas de armas de fogo na escola. Mais tarde, a polícia publicou em seu Twitter que uma pessoa havia morrido no local e que um suspeito havia sido detido, sem dar detalhes sobre ambos, apenas afirmando que eram do sexo masculino.

Após o incidente, a escola ficou em lockdown, e um local para que pais e alunos se encontrassem foi criado no campo de beisebol da instituição de ensino. É a segunda vez neste ano que alunos da escola Austin-East são impactados pela violência armada. Em fevereiro, os estudantes, que já haviam retornado às aulas presenciais, tiveram alguns dias de ensino remoto como forma de luto pela morte de dois jovens de 15 anos e um de 16 anos, segundo divulgou a emissora WBIR-TV News.

O ano de 2021 trouxe os ataques a tiros nos EUA de volta ao debate. Durante o primeiro ano da pandemia, o tema tinha ficado em segundo plano, pois houve menos ataques em público —foram apenas dois em 2020. Mas 2021 já alcançou essa marca, com dois casos apenas em março.

No dia 16, em Atlanta (Geórgia), um homem matou oito pessoas, seis das quais de origem asiática. E, no dia 22, dez pessoas foram assassinadas em um supermercado em Boulder (Colorado).

O compilado de mortos de 2020 em outras situações que costumam ganhar menos repercussão —como brigas domésticas e assaltos—, no entanto, mostrou a gravidade da crise: os crimes por arma de fogo aumentaram no país, mesmo em meio ao isolamento social.

Houve 19.380 mortos e 39.427 feridos por tiros nos EUA no ano passado, segundo dados da entidade Gun Violence Archive. Desde 2016, a média ficava em torno de 15 mil mortes por ano. Em grandes cidades, as taxas de assassinato estão voltando a patamares dos anos 1990. Segundo levantamento feito pela revista The Economist, Chicago teve alta de 56%, Nova York, de 45%, e San Francisco, 36%.

Após os recentes ataques, o presidente dos EUA, Joe Biden, anunciou ações executivas para conter a violência armada. Entre as novas regras está uma proposta para a redução da proliferação das chamadas "armas fantasmas", kits com peças e instruções que permitem ao comprador montar o próprio armamento "em menos de 30 minutos", driblando, assim, a fiscalização.

Também dentro de dois meses, o Departamento de Justiça deve publicar uma proposta de lei conhecida como "red flag", que permite a tribunais e autoridades locais remover temporariamente o acesso a armas de pessoas consideradas perigosas para si mesmas ou para a comunidade.

O plano, segundo o secretário da pasta, Merrick Garland, é que o texto sirva de modelo para que os estados redijam suas próprias versões. Para que esse tipo de lei entre em vigor em âmbito federal, Biden precisa de um aval do Congresso, mas o objetivo, segundo a Casa Branca, é facilitar o caminho para que os estados queiram implementar as mudanças de imediato.

Com Reuters

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