Descrição de chapéu Governo Biden oriente médio

Governo Biden critica expansão dos assentamentos de Israel na Cisjordânia

Tel Aviv anunciou construção de 1.300 novas casas na região, enfraquecendo esforços para acordo com palestinos

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Washington | Reuters

O governo dos Estados Unidos afirmou nesta terça-feira (26) que se opõe aos planos de Israel de construir mais de 1.300 casas para colonos judeus na região da Cisjordânia, alegando que a medida prejudica as perspectivas de uma solução do conflito com a Autoridade Palestina.

O porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, afirmou que o governo americano está "profundamente preocupado com o plano do governo israelense" e que "se opõe fortemente à expansão dos assentamentos".

Assentamento israelense de Efrat, na periferia da Cisjordânia - Ahmad Gharabli - 16,jul.21/AFP

O governo do primeiro-ministro Naftali Bennett publicou no último domingo (24) a licitação para a construção de novas casas na Cisjordânia e sinalizou que as autoridades também devem debater, em breve, autorização para outras 3.000 residências.

As negociações de paz apoiadas pelos EUA entre Israel e os palestinos foram interrompidas em 2014, nove meses após terem sido iniciadas, uma vez que o então premiê israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, não chegaram a um acordo.

A maioria das nações ocidentais considera ilegais os assentamentos israelenses na Cisjordânia —algo que Tel Aviv contesta.

A oposição americana cresceu desde que o democrata Joe Biden assumiu a Casa Branca. Seu antecessor, o republicano Donald Trump, tinha postura diferente —durante seu governo, os EUA passaram a considerar legais os assentamentos israelenses na região reivindicada pelos palestinos.

Um alto funcionário do governo disse no início do mês que Israel estava ciente da necessidade americana de se abster de ações que pudessem ser vistas como provocativas e, assim, minar os esforços para alcançar a solução do conflito entre Tel Aviv e a Autoridade Palestina.

Ainda no domingo, o Ministério das Relações Exteriores palestino disse que os novos planos de assentamento podem ter um "impacto catastrófico nas chances de alcançar a paz entre os dois Estados com base nos esforços regionais, americanos e internacionais para construir a confiança entre israelenses e palestinos".

Procurada pela agência de notícias Reuters, a embaixada de Israel em Washington não respondeu a pedidos de comentários.

A União Europeia (UE) também instou Israel a interromper a construção das casas. "As construções são ilegais sob a ótica do direito internacional e constituem um grande obstáculo para a obtenção da paz duradoura entre as partes", disse um porta-voz da Comissão Europeia em comunicado.

Na última semana, Israel classificou seis organizações da sociedade civil da Palestina como grupos terroristas, acusando essas entidades de desviar doações para guerrilheiros, medida que provocou críticas das Nações Unidas e de órgãos de defesa dos direitos humanos.

Dias antes, na contramão, Tel Aviv anunciou a legalização do status de 4.000 palestinos sem documentos na Cisjordânia, uma demanda histórica. Durante a última década, nenhum dos milhares de pedidos do tipo foi autorizado pelo governo israelense.

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