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José Luiz Penna: Porta aberta para o centro de São Paulo 

Ter no bairro da Luz a sede da Secretaria da Cultura nos faz enxergar nesta região algo além da insegurança

José Luiz Penna

Quando iniciei minha gestão à frente da Secretaria da Cultura do Estado, a convite do governador Geraldo Alckmin (PSDB), constatei a importância simbólica e estratégica do prédio que abriga a pasta.

O Complexo Júlio Prestes inclui a secretaria e a Sala São Paulo, um dos dez melhores espaços de concerto do mundo e sede da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, a Osesp.

Além da beleza do prédio, sua importância é histórica: concluído em 1938, abrigou a antiga Estrada de Ferro Sorocabana, que teve importância fundamental para a economia paulista.

José Luiz Penna, secretário da Cultura do Estado de São Paulo, em exposição da Estação Cultura - Folhapress

São essas qualidades, aliadas ao fato de o prédio estar localizado em uma parte fundamental do centro da capital paulista, que me levam a considerá-lo estratégico, buscando um sentido humanista para a palavra.

Ter no bairro da Luz a sede da Secretaria da Cultura do Estado, uma instituição com a função nobre de fomentar ações e políticas públicas no setor para todos os paulistas, nos faz enxergar nesta região algo além do local degradado, inseguro e relacionado ao consumo do crack.

Nego-me a ver o bairro da Luz somente dessa perspectiva. Esse é um problema real das instâncias da saúde e da segurança pública, porém não podemos reduzir a região a essa imagem.

O espaço Estação Cultura nasceu em outubro de 2017 a partir desse pensamento e de uma constatação: a porta principal da secretaria, no número 51 da rua Mauá, estava fechada há anos, servindo absurdamente como um depósito de caixas de arquivo. O público tinha acesso ao prédio somente por uma entrada lateral.

Fachada da Sala São Paulo
Fachada da Sala São Paulo - Caio Guatelli/Folhapress

O passo seguinte foi uma consequência: reativamos a entrada da secretaria, que renasceu transformada em um espaço cultural com as portas abertas para a Luz.

Espaço múltiplo, o Estação Cultura já ofereceu exposições de fotografia e de artes plásticas; um concerto ao ar livre de piano; uma intervenção de grafite com a participação de pessoas que realizam tratamento para dependência química na instituição Recomeço; além de um hackathon - uma maratona de programação digital em que jovens desenvolveram soluções tecnológicas em prol da cultura paulista.

Hoje quem passa em frente à Secretaria de Estado da Cultura vê suas portas abertas e, ao entrar, depara-se com alguma programação cultural gratuita e de qualidade. Era o que todos queríamos quando o Estação Cultura foi planejado suas portas estão abertas para os moradores e trabalhadores da região.

 

O bairro da Luz enfrenta um gravíssimo problema social, é verdade. Não podemos, todavia, ter medo.

Ao contrário, devemos buscar possibilidades de atuar nessa realidade para torná-la melhor, pensando sempre nas pessoas.

Oferecer cultura em um prédio belo e, sobretudo, público, tratando seus visitantes com respeito e dignidade, é um poderoso caminho. Acreditamos nisso.

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