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Grazielle Parenti

Lições da Covid-19 para o agro mundial

No Brasil, objetivo é ampliar o comércio de produtos de maior valor agregado

Grazielle Parenti

Presidente do Conselho Diretor da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) e diretora global de Relações Institucionais da BRF

A pandemia do novo coronavírus impactou o mundo de uma forma que ainda não conseguimos dimensionar. São mais de 29 milhões de casos e poderemos chegar à triste marca de 1 milhão de mortes em todo o planeta. A economia mundial foi seriamente afetada, e milhares de negócios foram fechados, agravando ainda mais um quadro de recessão econômica e modificando significativamente o comportamento dos consumidores ao redor do mundo.

Mas o que aprendemos de fato com essa pandemia, que começou em um mercado municipal e gerou impactos sociais e econômicos globais? Que ensinamentos nos indicam como os países devem se comportar e que mudanças devem promover no setor de alimentos?

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A presidente da Abia (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos), Grazielle Parenti - Keiny Andrade - 26.ago.19/Folhapress

A resposta é: o rigor da legislação sanitária é, sim, crucial para garantir a segurança alimentar e a segurança do alimento em todo o planeta.

Nesse sentido, o mundo conta muito com a agroindústria brasileira. Diante de um cenário de crise global nunca visto por gerações, foi o Brasil que ajudou no abastecimento mundial de alimentos, não só honrando seus compromissos internacionais, mas aumentando suas remessas ao exterior. De acordo com levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), as exportações do setor aumentaram 12,8% no primeiro semestre de 2020 em comparação com o mesmo período de 2019.

Estamos falando do segundo maior exportador de alimentos do mundo. As indústrias alimentícias do Brasil obedecem a uma legislação rigorosa, com critérios regulatórios e de segurança da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), vinculada ao Ministério da Saúde, e de inspeção do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Nossa indústria ainda passa por um criterioso processo de inspeção das agências internacionais e dos países importadores. O Brasil exporta alimentos industrializados para mais de 180 países com regras e culturas diferentes uns dos outros.

Isso é motivo de orgulho! Nosso país tem vantagens competitivas como água e terra em abundância, sol, chuva, um povo que gosta e sabe trabalhar na terra e inovação tecnológica por meio não só da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), mas também de universidades e empresas engajadas em produzir e aplicar conhecimento técnico e científico. É por essa inovação e investimentos constantes em pesquisas que o Brasil é exemplo internacional em conciliar produtividade agroindustrial com proteção ao meio ambiente.

A sustentabilidade, a sanidade animal e a segurança dos processos produtivos, além dos controles sanitário e fitossanitário, são prioridades da agroindústria brasileira —e temos tido muito êxito em aumentar a produção preservando a riqueza ambiental do nosso país.

Mas é importante irmos além para nos tornar ainda mais competitivos no cenário internacional. Devemos avançar para ser também referência mundial na comercialização de produtos de maior valor agregado, e não apenas na exportação de matérias-primas. Queremos e podemos ir além disso.
Com diálogo e empatia nas relações empresariais, vamos avançar cada vez mais no cenário global. O planeta pode confiar e contar com a indústria brasileira de alimentos.

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