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Aildo Ferreira

O conjunto esportivo do Ibirapuera deve dar lugar a um complexo multiuso? SIM

Não cabe ao Estado administrar e interferir em todas as atividades e setores

Aildo Ferreira

Graduado em direito e geografia, é secretário de Esportes do estado de São Paulo

Modernizar e atualizar são palavras de ordem em todos os ramos de atividade. Não pode ser diferente no esporte. O processo de concessão do Conjunto Desportivo Constâncio Vaz Guimarães, mais conhecido como Ibirapuera, trouxe à tona diversas discussões esportivas, políticas, econômicas e sociais.

Fundado na década de 1950, o espaço tem quase 100 mil m2 e conta com um diagnóstico quase unânime: está ultrapassado. Há anos São Paulo deixou o calendário esportivo nacional e internacional de grandes competições por não contar com um equipamento moderno e adequado aos requisitos atuais.

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Vista aérea do Conjunto Desportivo Constâncio Vaz Guimarães, onde fica o ginásio do Ibirapuera, em São Paulo - Gabriel Cabral - 22.out.19/Folhapress

O investimento para modernizar o Ibirapuera é alto: no mínimo R$ 400 milhões. Cabe ao governo do estado (administrador do espaço por meio de sua Secretaria de Esportes) tomar decisões e não postergar um problema para toda a sociedade paulista. A opção pela concessão à iniciativa privada reflete um olhar moderno: não cabe ao Estado administrar e interferir em todas as atividades e setores, bem como é fundamental escolher suas prioridades.

A expectativa é que seja investido cerca de R$ 1 bilhão no Ibirapuera Complex, sem um centavo de dinheiro público. O prejuízo anual de aproximadamente R$ 10 milhões em uma estrutura defasada vai se transformar em receita para São Paulo.

Teremos uma arena moderna, climatizada, conectada, pronta para receber os principais eventos esportivos (e, evidentemente, de outros segmentos) do mundo, além de um espaço aberto a toda a população com áreas comerciais, de alimentação e também para a prática esportiva gratuita.

Os atletas que treinavam e se alojavam em condições inadequadas serão transferidos para espaços condizentes às suas necessidades. Utilizaremos as estruturas do Complexo Desportivo Baby Barioni (que se encontra em obras para modernização e acessibilidade) e da Vila Olímpica Mário Covas (que terá uma pista de atletismo em área de alta vulnerabilidade social), além de convênios com municípios da região metropolitana em estruturas esportivas de referência.

Teremos, portanto, muito mais qualidade no projeto Centro de Excelência Esportiva (antigo Projeto Futuro), com atendimento adequado, alimentação, alojamento e comissão técnica, também com critérios claros para seleção e manutenção dos esportistas.

Jamais abriríamos mão da função e tradição do espaço; porém, entendemos que, assim como ocorre em diversos países do mundo, é possível ter um local com as mais diversas atividades para beneficiar o esporte. Sediar mais competições será um importante vetor para dar mais visibilidade ao setor e formar novos atletas. Cumprindo rigorosamente todos os parâmetros legais, o processo de concessão terá seu edital publicado até março de 2021. Respeitamos e seguiremos atendendo toda a legislação necessária, com audiências públicas, consulta pública e total transparência ao processo.

O projeto, aliás, é lei desde 2019, quando a Assembleia Legislativa o analisou, implementou considerações e o aprovou.

Para nós, São Paulo é uma metrópole global. Cidades como Londres, Nova York e Sydney já possuem estruturas desse tipo. Teremos, em no máximo cinco anos, um grande centro esportivo e social, que vai gerar emprego, renda, fomentar o turismo e acelerar nosso desenvolvimento.
Está na hora de trazer o complexo esportivo para o século 21, como já ocorreu em centenas de ginásios, estádios e centros de eventos no Brasil e no exterior.

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