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Sufoco a Hong Kong

Ditadura chinesa mostra que quer eliminar qualquer vestígio de oposição na ilha

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Familiares de um grupo de ativistas presos em Hong Kong dão entrevista - Peter Parks/AFP

A prisão de mais de 50 ativistas pró-democracia em Hong Kong, na quarta-feira (6), deixa explícita a disposição do regime chinês de não apenas sufocar os protestos pacíficos na ilha, como já vinha fazendo, mas também impedir qualquer tipo de oposição ali.

Acusados de subversão sob a draconiana nova lei de segurança nacional, os ativistas foram detidos por participarem, no ano passado, de primárias independentes que definiriam os candidatos oposicionistas para as eleições legislativas de setembro, adiada sob a justificativa de riscos de disseminação do novo coronavírus.

Para as autoridades de Hong Kong, entretanto, a intenção do grupo de conquistar a maioria na legislatura municipal —abrindo a possibilidade de bloquear propostas do governo pró-Pequim— não passaria de uma tentativa de causar “graves danos” à sociedade local.

O recado não poderia ser mais claro: o mero engajamento em processos eleitorais já severamente restritivos, com o objetivo de exercer o direito legislativo de veto, será considerado um crime contra a segurança nacional.

Esse recrudescimento da repressão se dá num contexto já amplamente favorável à ditadura comunista. Apenas metade dos 70 membros do Conselho Legislativo de Hong Kong são escolhidos por voto direto, sendo os demais indicados por grupos alinhados à China.

Vistas em perspectiva, as novas prisões são a mais grave ação governamental até aqui no sentido de eliminar qualquer vestígio de oposição nas instituições da ilha.

No ano passado, as autoridades já haviam impedido vários candidatos pró-democracia de concorrer nas eleições. Em novembro, ademais, o governo expulsou quatro membros oposicionistas do conselho por esposarem ideias independentistas, na interpretação oficial. Os demais integrantes do grupo renunciaram em protesto.

Tais medidas representam um ataque direto ao princípio de autonomia garantido pela Lei Básica de Hong Kong e sugerem que o pleito, se vier a ser realizado, será um evento meramente decorativo.

Condenado mundo afora, o ato de repressão chinesa mereceu palavras duras do próximo secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken. Não será surpresa, pois, se os desdobramentos do caso vierem a se tornar o primeiro foco de conflito entre as duas superpotências após o início do governo do democrata Joe Biden.

editoriais@grupofolha.com.br

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