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Olho nas UTIs

46% dos brasileiros veem epidemia controlada, mas hospitais continuam cheios

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UTI em Ribeirão Preto - Divulgação

Ninguém pode afirmar com grau de certeza, diante da situação atual da Covid-19 no Brasil, se virá ou não pela frente uma muito temida terceira onda da doença. Fato é que, decorridos 17 meses de epidemia, a lição mais importante a extrair das mais de 440 mil mortes está na precaução, desprezada amiúde pelo poder público.

Os números recentes de infecções e ocupação de leitos de terapia intensiva não inspiram otimismo, ainda que a média móvel de mortes esteja em discreto recuo. Seria rematada imprudência dar por controlada uma enfermidade que ainda mata quase 2.000 brasileiros ao dia.

E, no entanto, aumenta de modo acentuado o contingente de entrevistados pelo Datafolha a declarar que a pandemia está controlada no país. Em março, quando a escalada de óbitos já caminhava para ultrapassar 4.000 por dia, a tal avaliação era compartilhada por apenas 19% dos brasileiros; agora, esse é o entendimento de 46% (outros 53% pensam o oposto).

Nada menos que 14 estados e 14 capitais mantêm ocupação de UTIs de 80% para cima, metade ultrapassando 90% —vale dizer, no limiar de repetido colapso.

No estado de São Paulo, 79% dos 12.766 leitos de cuidados intensivos se encontram tomados. A média de internações em UTIs ultrapassara 13 mil no pior momento, em abril, e recuou para o patamar de 10 mil —mas já parou de cair.

Como a média de casos voltou a crescer, não se pode excluir que em algumas semanas os hospitais se vejam mais uma vez inundados de doentes graves. Nessa hipótese, será questão de tempo as mortes voltarem a proliferar.

Do governo federal embebido no mais abjeto negacionismo nada mais se pode esperar, mas governadores e prefeitos na administração cotidiana do combate ao coronavírus precisam agir de maneira racional e responsável.

Entende-se a ansiedade dos cidadãos pela volta célere das atividades —os danos provocados pela pandemia vão dos psicológicos aos econômicos, passando por um desastre no aprendizado das crianças mais pobres. O mundo político e as autoridades não podem nem devem ficar alheias a essa situação.

Entretanto há que ponderar os riscos nas decisões relativas a prolongar horários de abertura do comércio e permitir festas e eventos públicos, pois as estatísticas dão pistas preocupantes.

Flexibilizações —como a programada pelo governo paulista a partir de 31 de maio— precisam sempre ser planejadas de acordo com a capacidade dos hospitais.

editoriais@grupofolha.com.br

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