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Giovanni Guido Cerri

Saúde digital: nasce uma nova era

Modelos assistenciais podem ser replicados para todo o sistema de saúde

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Giovanni Guido Cerri

Médico, é presidente dos Conselhos de Inovação e do Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

A pandemia de Covid-19 acelerou o conceito de telemedicina. Para atender a uma demanda impulsionada pelo isolamento social e garantir assistência aos pacientes, soluções práticas e criativas foram implantadas nos consultórios médicos.

No complexo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP), as inovações foram aplicadas aos leitos e ao atendimento a distância. Como hospital-escola, o HCFMUSP manteve a organização integrada e envolveu todos os seus oito institutos.

Ao longo de 2020 foram mapeados mais de 70 iniciativas e 20 projetos, selecionados para compor uma nova realidade: o Programa de Saúde Digital. O projeto é uma colaboração do governo britânico com organizações de saúde no Brasil para fornecer insumos técnicos e operacionais. Assim como o Ministério da Saúde, o HC é um beneficiário encarregado pelo desenvolvimento e implementação de soluções para o sistema de saúde. O governo do Reino Unido colabora com apoio financeiro, operacional e documental.

Entre os benefícios estão a criação de fontes de eficiência para o HC replicar ganhos no sistema público de saúde e a identificação de oportunidades de aplicação de saúde digital na atenção primária.

O HCFMUSP definiu a visão ambiciosa de se tornar protagonista em inovação em saúde digital em todos os níveis de atenção, com excelência em assistência, ensino e pesquisa.

Três pilares ressaltam a relevância estratégica do projeto: melhorar a experiência do paciente, aumentar a capacidade da rede de saúde por meio do conhecimento do HCFMUSP e do uso de ferramentas digitais e criar soluções inovadoras que preparem a força de trabalho de saúde digital.

Num futuro próximo, o Programa Saúde Digital do HCFMUSP representará uma economia gigantesca de recursos. Apesar do alto investimento inicial, trata-se de uma oportunidade para o Hospital das Clínicas ampliar a sua oferta de serviços digitais.

O investimento para os próximos três anos será de R$ 100 milhões, e as principais metas já foram estabelecidas —entre elas, realizar 40% dos atendimentos ao paciente do HCFMUSP de forma remota até o fim de 2022; capacitar 100% dos residentes do HC em telemedicina; realizar 100 mil atendimentos de teleinterconsulta e segunda opinião médica por ano até o fim de 2023; implantar 10 linhas de cuidados digitais dentro do complexo; auxiliar 10 mil médicos do HC e da rede nas tomadas de decisões médicas e interpretação de exames de imagem através de sistemas de inteligência artificial; e ter 30 mil pacientes em acompanhamento por monitoramento remoto até o fim de 2023.

Além disso, será implantado, até o final do próximo ano, um projeto-piloto de atenção primária remota em dez municípios.

O futuro da saúde digital é agora, e o HCFMUSP reafirma seu papel de vanguarda na adoção de modelos assistenciais que possam ser replicados para todo o sistema de saúde.

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