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Edson Luiz Sampel

Nossa Senhora Aparecida e Roberto Carlos

Coube ao Rei esclarecer: 'Todas as Nossas Senhoras são a mesma mãe de Deus'

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Edson Luiz Sampel

Teólogo e professor da Faculdade de Direito Canônico São Paulo Apóstolo, da Arquidiocese de São Paulo; autor, entre outros livros, de ‘Resumo de Direito Canônico” (ed. Santuário)

Sabe-se que uma estatueta de Nossa Senhora apareceu a três pescadores que, nos idos de 1717, afoitos e debalde tentavam providenciar alimento para uma autoridade que chegava a Guaratinguetá, no interior paulista. Daí o nome Nossa Senhora “Aparecida”, com o particípio passado do verbo “aparecer”. Depois do achamento da imagem, a pescaria tornou-se copiosa!

O que nem todo o mundo sabe, nem mesmo muitos católicos (pasme-se!), é que Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora de Nazaré, Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora de Lourdes, Nossa Senhora do Carmo, enfim, todas as Nossas Senhoras são uma única pessoa: Maria, a mãe de Jesus. Trata-se, apenas, de devoções distintas.

Por exemplo, as aparições de Santa Maria em Fátima aos três pastorinhos, Lúcia, santa Jacinta e são Francisco, deram origem ao epíteto Nossa Senhora de Fátima; já as visões de Santa Maria presenciadas por santa Bernardette de Soubirous, na França, propiciaram o cognome Nossa Senhora de Lourdes. Às vezes, a devoção se relaciona a certa característica da vida de Santa Maria; por exemplo: Nossa Senhora das Dores, porque Santa Maria, qual corredentora da humanidade, compadeceu-se com as dores ou sofrimentos de Jesus crucificado; Nossa Senhora da Conceição (concepção), porquanto Maria foi concebida biologicamente sem a mancha do pecado original.

A homenagem a Nossa Senhora Aparecida realizada por escola de samba no Carnaval paulistano de 2017, quando dos 300 anos do encontro da imagem no rio Paraíba do Sul, simplesmente omitiu este dado biográfico essencial da homenageada, qual seja, o fato de ela ser a mãe de Jesus. Não ganhou o Carnaval daquele ano!

Na Basílica Nacional, em Aparecida, cunhou-se novo nome, o apelativo “Mãe Aparecida”. Infelizmente, naquele santuário quase nunca se pronuncia nem sequer o título devocional Nossa Senhora Aparecida, muito menos o nome próprio, Maria. Vale dizer, não se explica aos fiéis que Nossa Senhora Aparecida é a mãe de Jesus.

Salvo engano, nenhum padre-cantor jamais abordou esse assunto, objeto de tanta confusão. Mas foi um leigo, el-rei Roberto Carlos, músico de escol que, sob o influxo da graça e do “sensus fidei” (espécie de intuição doutrinal dos fiéis comuns), soube explanar, em belíssima canção, que “todas as Nossas Senhoras são a mesma mãe de Deus”, Maria. Diga-se de passagem, exceto um ou dois padres-cantores, Roberto é, incontestavelmente, o artista que gravou mais músicas católicas.

O cantor Roberto Carlos reza diante da imagem de Nossa Senhora Aparecida durante missa realizada em homenagem ao dia da santa, padroeira do Brasil, em Aparecida (SP) - Rubens Cavallari -20.nov.10/Folhapress

Ensina a Bíblia sagrada (Is 43, 1) que Deus chama cada um de nós pelo nome próprio: Edson, Roberto etc. Pelo prenome, Deus chamou a Virgem de Nazaré, através do arcanjo Gabriel: “Não tenhas medo, Maria! Encontraste graça junto de Deus”. (Lc 1, 30). Escreveu Raimundo Jordão: “A virtude e a excelência do nome Maria são tão grandes que, apenas pronunciado, o céu sorri, alegra-se a terra e os anjos exultam de prazer”.

Somente a Deus adoramos com o culto de latria. Aos santos devotamos a dulia. E Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil, agraciamos com a hiperdulia.

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