Leitores postam fotos de livros censurados pelo governo de Rondônia

Entre os 43 títulos da lista os mais citados foram "Memórias Póstumas de Brás Cubas" e "Macunaíma"

São Paulo

A Secretaria de Educação de Rondônia distribuiu na última quinta-feira (6) uma lista de livros para serem recolhidos das escolas por conterem o que foi definido como "conteúdos inadequados" a crianças e adolescente. 

No entanto, após questionamentos à medida, a pasta voltou atrás. Inicialmente afirmou se tratar de fake news, mas depois recuou.

Na lista das obras censuradas apareciam 43 títulos. Entre eles, livros de autores consagrados como "O Castelo", de Franz Kafka, "Macunaíma", de Mário de Andrade e "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis —as duas últimas, obras recorrentemente exigidas em vestibulares.

Na capa do livro "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis, um homem de barba aparece deitado e de perfil. ele está de olhos fechados. Em cima dele está o titulo do livro
Capa do livro "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis. - Divulgação

A relação trazia ainda uma observação: "Todos os livros do Rubem Alves devem ser recolhidos". Morto em 2014, Alves escrevia sobre educação e questionava o formato tradicional da escola.

Pegando carona nessa história, a Folha fez uma campanha nas redes sociais perguntando se os leitores tinham algum dos títulos censurados e, caso tivessem, convidamos eles a postarem uma foto com a hashtag #MeuLivronaFolha.

Com as respostas fizemos um ranking.

No Instagram, em primeiro lugar, com 49 menções, apareceu “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis. Em segundo, “Macunaíma", de Mário de Andrade e em terceiro, dois títulos empataram, “A Vida Como Ela É”, de Nelson Rodrigues, e “Os Sertões”, de Euclides da Cunha.

Lista e memorando que pede recolhimento de livros 'inadequados' em Rondônia
Lista e memorando que pede recolhimento de livros 'inadequados' em Rondônia - Reprodução

Nas prateleiras dos leitores também apareceram títulos de Rubem Fonseca, Edgar Allan Poe, Ferreira Gullar, Nelson Rodrigues, Carlos Heitor Cony, Franz Kafka, Rubem Alves e Aurélio Buarque de Holanda Ferreira.

A leitora Queiroz Ribeiro, que publicou a foto de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, escreveu: “Eu não sabia que esse livro era subversivo!!!”.

Já a Luana Reis fez uma pilha de livros de Nelson Rodrigues, Machado de Assis e Rubem Fonseca com a mensagem: “Livros realmente são perigosos, minha gente. São um perigo contra a ignorância, a intolerância, o pensamento ultrapassado e a existência amorfa... Se tens por projeto de vida ser alguém estagnado no campo das ideias, então passes longe destes e de outros tantos títulos hahaha…”.

“Indignada com a censura à Literatura! Isso é um absurdo!!!”, disse a leitora Janaina Maciel, que postou uma foto de “Macunaíma".

No Twitter, em primeiro lugar ficaram empatados com sete menções "Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, e "Macunaíma", de Mário de Andrade. Em segundo, "Agosto", de Rubem Fonseca e em terceiro, outro empate entre “Os Sertões da Luta”, de Euclides da Cunha, “O Seminarista” e “Feliz Ano Novo”, ambos de Rubem Fonseca.

Nos tuítes, aparecem ainda títulos de Ferreira Gullar, Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, Carlos Heitor Cony, Franz Kafka, Edgar Allan Poe, Nelson Rodrigues, Rubem Fonseca e Rubem Alves.

 

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