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Eleições 2018

Lula tenta fortalecer petistas e evitar fracasso eleitoral sem ele na campanha

Candidatos importantes do PT precisavam de uma última consideração pública antes de prisão do ex-presidente

Leandro Colon
Brasília

Ciente de que poderia ser seu último discurso antes das eleições, o ex-presidente Lula gastou considerável tempo elogiando potenciais candidatos em outubro que estavam no palanque em São Bernardo.

Estratégico até na véspera de ser preso, Lula tem plena consciência de que a sua saída da cena pública para cumprimento de pena em Curitiba terá impacto no desempenho dos candidatos do PT nas urnas. 

Não à toa, afirmou que há "milhões de Lulas" pelo país. "Eu sou uma ideia", disse, em evidente tática para manter viva sua figura na campanha —sobretudo porque não se sabe por quanto tempo ficará detido.

Uma cena curiosa mostra o componente político-eleitoral do ato: a preocupação do senador Lindbergh Farias (PT-RJ) por ter sido esquecido no começo das citações de Lula. As imagens mostram o senador comentando com o ex-ministro Celso Amorim que ainda não havia sido lembrado —pouco depois, Lula falou de Lindbergh. 

O ponto mais relevante e sintomático, no entanto, destinou-se a dois nomes de fora do PT: os presenciáveis Guilherme Boulos (PSOL) e Manuela D´Ávila (PC do B)

A dupla foi saudada por Lula no começo e reverenciada no final, quando foi chamada para ser abraçada pelo petista.

Lula destacou que ambos são a nova geração da esquerda (Boulos tem 35 anos, e Manuela, 36). Afirmou ser "motivo de orgulho" ver dois jovens disputando a Presidência. Chegou a falar em "milhões de Manuelas e de Boulos" andando por ele pelo país. 

Uma cena para causar ciúmes ao ex-prefeito Fernando Haddad, 55, apontado como plano B do PT para assumir o lugar do ex-presidente na candidatura ao Planalto. 

A euforia com que Lula mencionou Boulos e Manuela contrastou com a protocolar menção ao ex-prefeito de São Paulo.

Lula sinaliza seu desejo de unificar a esquerda para evitar uma pulverização de candidatos diante da remota chance de ele mesmo ser o nome do PT à Presidência. 

O ex-presidente sabe da resistência de setores do seu partido em se juntar a PSOL e PC do B. Ao tratá-los com tamanha deferência, deixou um sinal importante a essa ala petista antes de ir para a cadeia.

AFAGO A PETISTAS

Voltando ao PT. Todos os petistas que estavam no palanque de Lula dependem de alguma maneira da força política do ex-presidente na hora do voto

São personagens que precisavam de um última consideração pública antes de ele ser preso em Curitiba. Destacam-se entre os presentes a ex-presidente Dilma Rousseff (possível candidata ao Senado por Minas), Luiz Marinho (nome para o governo de São Paulo), Eduardo Suplicy (candidato ao Senado), o ex-chanceler Celso Amorim, cotado para disputar um cargo no Rio e até como alternativa presidencial, além de deputados federais e senadores que devem sentir o impacto de uma possível ausência de Lula nos Estados. 
 

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