PSDB pede denúncias sobre uso da máquina por Márcio França

Ex-prefeito paulistano diz que há aliciamento por apoio eleitoral pelo novo governador

Igor Gielow
São Paulo

​O PSDB paulista pediu a seus militantes que reúnam evidências de uso da máquina pelo governador Márcio França (PSB), até sexta passada vice do tucano Geraldo Alckmin, em favor de sua campanha de reeleição.

​A ordem foi expedida por um braço direito do pré-candidato tucano ao governo paulista, João Doria.
Em mensagem a grupos de diretórios do PSDB, o ex-secretário paulistano de Justiça Anderson Pomini pede para que sejam enviados a seu escritório de advocacia dados envolvendo "toda e qualquer movimentação da estrutura do estado, municípios e demais órgãos públicos".

"Começaram a chegar informações no sentido de que o governador vinha utilizando seu prestígio para pressionar prefeitos. Mas são informações sem subsídio, fofoca de política, por isso pedimos imagens, vídeos, áudios", disse Pomini, que coordena a área jurídica do PSDB-SP e deverá integrar o comando da campanha de Doria.

O ex-prefeito paulistano já vinha falando que França usaria a máquina. "É lamentável que um governador recém-empossado tenha como único compromisso o aliciamento de apoios por meio do uso da máquina pública", reiterou Doria à Folha.

Ele e Pomini não citaram casos concretos, mas aliados de ambos falam que o pessebista tem ofertado liberações extraordinárias de verbas a prefeitos em troca de apoio. França não se manifestou até a conclusão desta edição.

O episódio dá continuidade à guerra particular de Doria contra França, a quem acusa de ser um esquerdista pela defesa que o PSB faz da libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O ex-prefeito diz que sua posição é política, e não poderia se eximir de críticas.

Aliados de Doria, contudo, têm dúvidas sobre a tática. Afinal de contas, quem está na liderança das pesquisas eleitorais é ele, e não França, um desconhecido até aqui.

O bombardeio logo à saída, avaliam esses tucanos, poderia dar visibilidade ao governador. E ainda favorecer um terceiro ator na disputa, como o emedebista Paulo Skaf, caso Doria e França saiam chamuscados do embate.

Outras pessoas próximas do ex-prefeito, por outro lado, consideram que é melhor tentar demonstrar já o que consideram errado na figura de França. Um prefeito aliado de Doria diz que o assédio do pessebista a seus colegas é grande, e que em algum momento a Justiça Eleitoral acabará sendo provocada.

Doria considera França neste momento seu principal adversário em potencial. 

O governador vem articulando o apoio de uma série de siglas, de olho em tempo de televisão.

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