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Declaração de Meirelles é infeliz, diz coordenador de programa de Ciro

Economista Nelson Marconi respondeu a ex-ministro, para quem candidatos têm gerado instabilidade

Thaiza Pauluze
São Paulo

O economista Nelson Marconi, responsável pela coordenação do programa de campanha de candidato à Presidência Ciro Gomes (PDT), chamou de infeliz a declaração do presidenciável pelo MDB Henrique Meirelles, em entrevista à TV Folha.

 
O economista Nelson Marconi, coordenador do programa de governo de Ciro Gomes (PDT) - Reinaldo Canato/Folhapress

Segundo Meirelles, candidatos como o pedetista, Marina Silva (Rede) e Jair Bolsonaro (PSL) geram insegurança porque reduzem a expectativa que o mercado teria com o prosseguimento da agenda de reformas do governo Michel Temer.

“Ele [Temer] não fez a reforma da Previdência que tinha que fazer, criou um teto de gastos que obviamente seria estourado —e já foi— e a única medida que teve real impacto no crescimento [do país] foi liberar o saque do Fundo de Garantia”, rebateu Marconi, durante palestra na Casa do Saber, em São Paulo, nesta terça-feira (15).

Ele ponderou que os dois anos do governo emedebista resultaram em taxas de juros e inflação menores, “mas nós fizemos isso a um custo de muitos desempregados”, disse. “Eles erraram na mão, claramente.”

Autodeclarado desenvolvimentista “sem medo de ser feliz”, Marconi voltou a defender uma atuação conjunta do Estado com o mercado.

E não afastou a necessidade de reformas, como a previdenciária (num modelo próximo a capitalização, com três faixas de renda) e a tributária (que passaria a cobrar maior imposto dos mais ricos).

Sobre o teto de gastos, o economista também não se disse contrário. “Deveria ter sido feita a reforma da Previdência antes do teto de gastos. Mas você colocou um teto e falou para sociedade ‘Está aqui. Vocês que se matem para ver quem fica com qual pedaço do bolo’.”

Na visão de Marconi, a indústria deveria ocupar 20% do PIB, quase o dobro que tem hoje (11,8%). “A crise estrutural tem a ver com a perda de espaço da indústria, mas óbvio que chegar nisso é um processo lento.”

O economista rejeita a pecha de que repetirá o erro do governo Dilma Rousseff (PT), que também apostou na industrialização. Segundo ele, a estratégia da petista foi ineficaz. “Esperávamos que o país retomasse o crescimento com base na política industrial, mas ela não foi suficiente para garantir esse investimento.”

Agora, a ideia não é incentivar "indústrias ultrapassadas", mas sim as chamadas 4.0, de inovação, pesquisa, disse o responsável pela campanha de Ciro, batendo na mesma tecla do presidenciável quanto às principais: defesa, óleo e gás, saúde, construção civil e agronegócio.

Uma das propostas do presidenciável, no entanto, é trazer de volta um mecanismo que força indústrias a comprarem apenas produtos nacionais, adotado pelos governos petistas.

“Mas tiveram vários setores que quebraram no governo do PT com essa regra”, rebateu o mediador da conversa, o banqueiro Jair Ribeiro, um dos sócios da Casa do Saber.

“E você pode ter estimulado outros setores que foram bem”, disse Marconi.

Entre as opções para a vice-presidência, o economista defendeu os nomes do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) e do empresário Benjamin Steinbruch (PP), dono do grupo Vicunha Têxtil e da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

“Eu acho os dois muito bons. O Haddad é um cara que a gente respeita muito. Ele fez uma gestão boa e tem grande futuro ainda na política, mas temos que esperar pela opção do partido dele”, afirmou Marconi.

Já Benjamin “é um empresário muito importante, bem-sucedido, tem boa relação com o empresariado”, afirmou. “E, se nós estamos queremos unir o mercado com o Estado, ter um empresário como vice é ótimo.”

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