Depois da tentativa de João Doria (PSDB) de colar em Márcio França (PSB) o apelido de "Márcio Cuba”, o pessebista passou a se referir ao rival na disputa pelo governo de São Paulo como um candidato “rico, poderoso e famoso”.
“As pessoas são sempre levadas ao mesmo conceito de que o mais rico, poderoso e famoso ganha todas. Espera o povo votar”, disse França nesta quinta (28) no Palácio dos Bandeirantes, após assinar a liberação de R$ 360 milhões em recursos para municípios paulistas.
O governador respondia a uma pergunta sobre o desembarque do PP na semana passada. Menos de uma semana depois de fechar aliança com o PSB em São Paulo, o partido trocou a campanha de França pela de Doria.
A pré-campanha do ex-prefeito paulistano anunciou, também nesta quinta (28), o apresentador de TV José Luiz Datena (DEM) como pré-candidato ao Senado —posto que, na chapa de França, deve ficar com o ex-tucano Mário Covas Neto (Podemos).
“É um belo candidato”, disse o governador sobre Datena. E interrompeu a frase com um riso irônico: “Um cara de pensamento muito diferente do grupo em que ele está.”
O governador disse ser amigo pessoal de Datena e que achou corajosa sua decisão de abandonar o salário na TV para disputar uma vaga no Congresso. “Eu o convidei muitas vezes para fazer esse movimento, vamos esperar até o dia 30 para ver se homologa. A cara dele não estava muito boa”, afirmou.
Presidente nacional do PSDB e pré-candidato da legenda à Presidência, Alckmin não foi ao anúncio da pré-candidatura de Datena e tem evitado participar de eventos públicos ao lado de Doria para não ofender França.
“Tudo o que Alckmin fizer estará certo e terá sempre o meu respeito”, disse França.
“Alckmin é um homem correto e idôneo, já disse 300 vezes. As pessoas que são idôneas procuram estar perto das pessoas com que têm mais afinidade."
Doria seria, por essa lógica, inidôneo? “Não é ele”, respondeu França. “As pessoas têm mais intimidade. O governador é simples. As salas VIPs e classe executiva não são a cara do Alckmin."
A fala reflete o que será a estratégia política de França: polarização com Doria e aproximação de Geraldo Alckmin, com quem o pessebista apontará similaridades de trajetória ao longo da campanha.
Em discurso aos prefeitos e vereadores de 365 cidades que encheram um auditório do Bandeirantes, França disse que estava “até pegando o vício do Alckmin de contar história”.
Após a solenidade, o saguão do palácio se agitou em filas de prefeitos assinando papéis com o nome de seus municípios na primeira página para iniciar o processo de liberação de recursos para as cidades. Desta vez, a verba era destinada a ações de pavimentação, saneamento e turismo.
França afirmou que os recursos para esses convênios vêm de emendas parlamentares e de R$ 2 bilhões previstos no orçamento para obras próprias. “Antes, apenas fazia mais em repavimentação de estradas. Estamos priorizando fazer isso em municípios.”
Segundo o governador, a medida “ajuda a levantar o astral da cidade” e não tem viés eleitoral.
“Como eu posso ser eleitoreiro se não sou conhecido pelas pessoas? Você viu aqui prefeitos do PSDB e do DEM. Acha que alguém vai votar em mim porque caiu asfalto na cidade sem nem saber quem eu sou?”, indagou o pessebista.
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