Descrição de chapéu Eleições 2018

Será uma brutalidade a Justiça não permitir a candidatura de Lula, diz Gleisi

Senadora afirmou que o PT vai registrar o ex-presidente como candidato até o dia 15 de agosto

Carolina Linhares Catia Seabra
Contagem (MG)

A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), afirmou que seria uma agressão e uma brutalidade caso o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não permita a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A senadora concedeu entrevista à imprensa antes do evento de lançamento da pré-candidatura de Lula nesta sexta (8). Ela afirmou que o partido irá registrar Lula como candidato até o dia 15 de agosto.

Lula está preso em Curitiba desde o dia 7 de abril, após ter sido condenado em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do triplex de Guarujá (SP).

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que preside o Partido dos Trabalhadores
A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que preside o Partido dos Trabalhadores - Heuler Andrey - 01.mai.2018/AFP

"Se o TSE avaliar que não pode, o que seria uma brutalidade, uma agressão com o presidente, porque nós estamos com recursos bem fundamentados em instâncias superiores e [...] teria que ser feita a candidatura", disse.

Gleisi disse acreditar no resultado positivo dos recursos que pedem a liberdade de Lula ao STF (Supremo Tribunal Federal) e ao STJ (Superior Tribunal de Justiça). "Acredito que a Justiça tem que dar sua contribuição de estabilidade, de respeito à democracia."

Segundo Gleisi, o país está a beira de uma convulsão social e não há possibilidade de pacificação com Lula preso.

"É o único com condição de tirar o país da crise e pacificar o Brasil. Não existe outra liderança política com a estatura de Lula, com a capacidade dele de interlocução popular", disse. 

"Continuar com um líder como Lula preso é querer jogar o país cada vez mais na instabilidade e numa saída que não seja de paz social", completou.

Gleisi afirmou ainda que a Lei da Ficha Limpa não é impeditiva no caso de Lula e que 145 prefeitos foram eleitos e tomaram posse mesmo com o registro indeferido pela Justiça. A senadora diz que o partido está fazendo um levantamento estado a estado de casos semelhantes ao de Lula. 

Segundo ela, Lula não está com os direitos políticos suspensos e o PT pediu à Justiça que ele possa dar entrevistas e gravar depoimentos na sua campanha. "E não é preciso explicar qual é o programa de governo de Lula, é autoexplicativo", diz.

ALIANÇAS

Glesi afirmou que o PT trabalha por um vice de outro partido e que a articulação política do campo de esquerda, com PSB, PCdoB, PCB, PSOL, PCB e PCO pode embasar uma articulação eleitoral.

De acordo com a senadora, o PSB é um dos partidos que está no arco de alianças e é uma prioridade. O ex-prefeito de BH Márcio Lacerda poderia ser uma opção de vice do partido.

Gleisi deu a entender que o PT irá sacrificar candidaturas regionais em prol da aliança nacional, que é a prioridade. Em Pernambuco, por exemplo, a candidatura de Marília Arraes ao governo estará ameaçada diante de um arranjo com o PSB para reeleger o governador Paulo Câmara.

A senadora Gleisi Hoffmann, presidente do PT, junto com outras lideranças do partido no evento de lançamento da pré-candidatura do ex-presidente Lula à Presidência da República, em Contagem (MG)
A senadora Gleisi Hoffmann, presidente do PT, junto com outras lideranças do partido no evento de lançamento da pré-candidatura do ex-presidente Lula à Presidência da República, em Contagem (MG) - Carolina Linhares/Folhapress

DILMA

Gleisi afirmou que a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) transferiu seu domicílio eleitoral para Minas Gerais não necessariamente para ser candidata, mas para contribuir com articulações do partido.

Embora, diz Gleisi, o PT irá considerar o fato de o nome da ex-presidente aparecer bem colocado em pesquisas para o Senado.

A chegada de Dilma no cenário mineiro azedou a aliança do governador Fernando Pimentel (PT) com o MDB.

Glesi também admitiu o rompimento: "o que me parece é que as articulações do PT aqui também caminham mais para realização de uma aliança no campo que nós vamos realizar em nível nacional".

Durante a tarde, antes do ato de lançamento da pré-candidatura de Lula, Dilma participou do lançamento do projeto "Elas por Elas", do PT, também em Contagem.

A ex-presidente Dilma Rousseff participa de lançamento de programa de mulheres do PT em hotel em Contagem, onde à noite a pré-candidatura de Lula será lançada
A ex-presidente Dilma Rousseff participa do lançamento de programa de mulheres do PT em hotel em Contagem, onde à noite a pré-candidatura de Lula será lançada - Carolina Linhares/Folhapress

Dilma foi recebida com gritos de senadora, mas não falou sobre a possível candidatura. “Uai, uai, que coisa boa. Minas Gerais vai ter Dilma senadora", cantou a plateia.

A uma plateia formada majoritariamente por mulheres, Dilma fez um discurso a favor da inclusão social e condenando o racismo.

A ideia do projeto é ampliar a participação das mulheres no partido e na política. Participaram também deputadas petistas, a ex-ministra Eleonora Menicucci e a presidente do PT de Minas, Cida de Jesus.

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