Descrição de chapéu Eleições 2018

Quem desconstrói biografias prejudica a democracia, diz Marina em resposta sobre PT

Candidata nega ter vetado a presença de Haddad em sabatina

Joelmir Tavares
São Paulo

A candidata Marina Silva (Rede) disse nesta terça-feira (28) que está aberta a debater com rivais e afirmou que não vetou a presença de Fernando Haddad (PT) em sabatina promovida pelo jornal O Estado de S. Paulo e pela Faap.

Segundo ela, sua equipe só se queixou com a organização do debate porque a regra era que seriam convidados só os cabeças de chapa e, como o ex-prefeito é vice da candidatura de Lula (PT), a presença dele estaria em desacordo com o previsto.

“A campanha do Haddad foi que decidiu que ele não seria o titular”, disse a presidenciável no término do evento.

“O que nós dissemos para os organizadores do debate foi que, se era possível um vice participar, eu iria mandar o meu [Eduardo Jorge], porque assim eu conseguiria preservar a agenda que eu já estava organizando”, afirmou.

 
A ex-senadora disse estar “aberta para debater com os candidatos, de acordo com as regras legais”.

Nesta segunda (27), o perfil de Lula no Twitter insinuou que a adversária estaria com medo de debater com Haddad.

“Jamais usarei de qualquer expediente para desconstruir biografias”, respondeu Marina diante de pergunta da Folha sobre o risco de uma reedição da agressiva campanha do PT contra ela na eleição de 2014.

“É claro que os que praticaram desconstruções de biografias sabem que isso é um grande mal para a nossa democracia. E é por isso que eu preservo o debate, não o embate”, afirmou ela, sem citar partidos ou nomes.

Durante a sabatina, Marina rechaçou a acusação de que evita criticar diretamente Lula, por herdar parte dos votos que seriam dados a ele, e disse que não tem o hábito "de ficar destilando ódio".

"Não tenho prazer nisso que acontece", disse a presidenciável. "Não se fica tripudiando sobre quem já está sob a responsabilidade do Estado", continuou, aludindo à prisão do petista.

"As críticas que tenho feito, quer aos líderes do PT, do MDB, do PSDB, que estão envolvidos em graves casos de corrupção, eu as faço da mesma forma. Eu não uso isso como forma de me promover."

"Pode reparar", prosseguiu ela, "que quando me refiro ao Aécio [Neves] também não faço estardalhaço".

Em outro momento, num ataque indireto a Jair Bolsonaro (PSL), a candidata da Rede disse que não se vai resolver o problema da segurança pública no Brasil distribuindo armas à população.

"Você dizer que quer ser presidente da República para entregar a população à sua própria sorte, dizendo que, se ela quiser resolver o problema da violência, que compre uma arma e que se defenda, para que se quer então um presidente da República?"

Para ela, "não se pode transferir para um cidadão indefeso a possibilidade de se defender, defender a sua família, a sua empresa. Isso é justiça com as próprias mãos?".

Marina defendeu ainda o "presidencialismo de proposição" que ela apregoa em sua campanha. "Que a maioria no Congresso se faça com base no programa. É assim que as democracias evoluídas fazem."

"Meu problema não é governar, é ganhar [a eleição]. Se ganhar, nós vamos ter os melhores [dos partidos e da sociedade]", afirmou ela, que encara uma campanha com pouco dinheiro, 21 segundos de propaganda na TV e estrutura pequena.

A equipe dela, por exemplo, está pedindo a voluntários para imprimir materiais de campanha como santinhos e cartazes. Um manual, que ensina o eleitor a procurar uma gráfica e fazer o procedimento de acordo com a legislação eleitoral, começou a ser distribuído entre os apoiadores da ex-senadora.

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