Descrição de chapéu Eleições 2018

Rejeição a Bolsonaro cria voto '13 e 45' em Minas Gerais

Segundo o Datafolha, porém, os eleitores de Haddad que votam em Anastasia são minoria

Carolina Linhares
Belo Horizonte

Em um dia de mobilização de eleitores de Fernando Haddad (PT) em Belo Horizonte, com bandeiras, buzinaço e adesivos em diversos pontos da cidade, alguns apoiadores também exibiam material de campanha do senador Antonio Anastasia (PSDB), candidato a governador no estado.
 
A improvável união dos votos 13 e 45, partidos que rivalizaram em 2014 e também polarizam em Minas Gerais, se dá pela rejeição ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL).

Ato pró Fernando Haddad (PT) no centro de BH defende voto em Antonio Anastasia (PSDB) no governo do estado
Ato pró Fernando Haddad (PT) no centro de BH defende voto em Antonio Anastasia (PSDB) no governo do estado - Carolina Linhares/Folhapress

O outro candidato a governador em Minas, Romeu Zema (Novo), que lidera as pesquisas e chegou à frente no primeiro turno, defende explicitamente o voto em Bolsonaro. A carona no capitão reformado explica o salto de votos do candidato antes nanico.
 
Zema é empresário, nunca disputou uma eleição e defende ideias liberais, como a redução do estado e privatizações.  
 
Já Anastasia, embora não poupe críticas ao PT, não divulgou seu voto no segundo turno, afirmando que a neutralidade busca abrir um caminho de diálogo com qualquer que seja o presidente. Pessoas próximas ao tucano dizem que ele não compartilha do radicalismo de Bolsonaro.
 
Outros políticos do PSDB da coligação de Anastasia, no entanto, abandonaram o barco de Geraldo Alckmin (PSDB) ainda no primeiro turno para declarar voto em Bolsonaro, como o candidato a vice, Marcos Montes (PSD) e o candidato ao Senado Dinis Pinheiro (SD), que foi derrotado.
 
O PT de Minas Gerais se declarou neutro no segundo turno no estado, depois que o governador Fernando Pimentel (PT) terminou em terceiro com 23% dos votos. Militantes e lideranças de esquerda passaram a defender voto nulo.
 
O educador físico Lucas Ferreira, 33, porém, não vai anular seu voto. Andando pela Savassi com adesivos de Haddad no peito afirmou que “infelizmente votará em Anastasia”.
 
“Os eleitores de Haddad estão tendo uma dificuldade grande na eleição para governador, pela falta de opção. Pimentel recebeu um estado em crise e não conseguiu colocá-lo de pé. Não fez um bom governo especialmente para professores e estudantes, que são sua base, o que o enfraqueceu”, avalia.  
 
Minas passa por grave crise fiscal, e o governo Pimentel parcelou e atrasou salários de servidores públicos.

Entre Zema e Anastasia, Ferreira prefere o tucano. Questionado sobre votar no partido de Aécio Neves, senador e ex-governador, agora eleito deputado, que foi pego em grampos da JBS e responde por corrupção, ele diz: “é um ladrão, mas não dá para anular o voto”.
 
“Meu voto é de protesto contra a privatização, contra Bolsonaro e contra o empresariado”, completa.
 
Na Praça Sete, no centro, em um ato a favor de Haddad, o arquiteto Rodrigo Medeiros, 24, levava também um adesivo de Anastasia na roupa. “Estou votando no PSDB de olho fechado e nariz tampado”, diz.

O arquiteto Rodrigo Medeiros, 24, que participou de ato pró Fernando Haddad (PT) no centro de BH e defende voto em Antonio Anastasia (PSDB) no governo do estado
O arquiteto Rodrigo Medeiros, 24, que participou de ato pró Fernando Haddad (PT) no centro de BH e defende voto em Antonio Anastasia (PSDB) no governo do estado - Carolina Linhares/Folhapress


 
“Isso é democracia, o 45 não me representa, mas mesmo assim vou votar porque é a minha segurança e da minha família que está em jogo”, completa.
 
Medeiros lembra que empresas que impulsionaram disparos por WhatsApp contra o PT também atuaram na campanha de Zema, como revelou a Folha, e que Alberto Goldman, ex-presidente do PSDB, declarou voto em Haddad.
 
“Nunca votei PSDB, vai ser a primeira vez”, diz Catia Gualberto, 53, aposentada. Acompanhada da filha e da neta, as três levam adesivos do Haddad. “Vou relevar Aécio e votar PSDB. Anastasia é o menos pior”, diz a filha, Mariana da Silveira, 26, advogada.
 
“É um voto útil e não de apoio”, diz a estudante de direito Clara Bazzarella, 21. “Nunca pensei em votar no Anastasia, mas não acredito no que Zema propõe”, afirma Maria Clara Caon, 24, também estudante de direito.

DATAFOLHA

Segundo a pesquisa Datafolha deste sábado (27), porém, os eleitores de Haddad que votam em Anastasia são minoria: 36%. Entre eleitores do PT, 64% escolheram Zema em Minas.
 
O empresário vence também entre eleitores de Bolsonaro: 72% votam no Novo e 28% em Anastasia.
 
Os votos de Pimentel também migraram para Zema em sua maioria: 68% votarão no empresário e 32% no tucano.
 

MOBILIZAÇÃO

 Neste sábado, houve mobilização de eleitores de Bolsonaro e de Haddad na capital mineira. Simpatizantes do PSL se reuniram na Pampulha pela manhã, vestindo verde e amarelo.
 
Também pela manhã eleitores de Haddad se posicionaram em diversos pontos da capital, como a av. Contorno, Savassi e Praça Sete, para distribuir adesivos, fazer buzinaço, levantar bandeiras e tentar converter votos para o petista.
 
A Praça Sete chegou a ter o trânsito interrompido devido à quantidade de manifestantes, mas o ato se dispersou sob forte chuva por volta das 14h. No fim da tarde, blocos de Carnaval se reúnem na Praça da Estação para um ato a favor do petista.

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