Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Como foram as fusões e divisões de ministérios, de Sarney a Bolsonaro

Superministérios são reedições de antigas pastas que reuniam várias atribuições

Gráfico mostra a uniões e fusões de ministérios de Sarney a Bolsonaro

Uniões e fusões de ministérios de Sarney a Bolsonaro Folhapress

Simon Ducroquet
São Paulo

Eleito no segundo turno após vencer o petista Fernando Haddad, Jair Bolsonaro (PSL) começa a formar sua equipe que vai frequentar a Esplanada. 

Em campanha, o candidato prometeu reduzir de 29 para 15 o número de ministérios, mas na quarta (7) esse número foi revisado para 18 pastas.

Para conseguir essa redução, a principal estratégia do presidente eleito é desenhar uma série de fusões entre pastas, criando "superministros" com atribuições que no atual governo estão divididas entre vários ministros.

É o caso do Ministério da Economia, que será chefiado por Paulo Guedes, e reunirá a Fazenda, o Planejamento e a Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Curiosamente, essas pastas já estiveram reunidas no passado, durante o governo Collor.

Veja abaixo como esses ministérios se fundiram e deram origem a outros desde o governo Sarney:

Sergio Moro comandará o Ministério da Justiça que passa a reunir outras pastas, entre elas a Segurança Pública. Até a gestão de Temer, as atribuições desses dois ministérios estavam reunidas na Justiça. O Ministério dos Direitos Humanos também voltará à pasta que lhe deu origem. Esse Ministério surgiu a partir de uma secretaria atrelada à Justiça no governo FHC, e posteriormente ganhou status de Ministério no governo Lula.

O Ministério do Trabalho deve deixar de existir e estará atrelado a outra pasta, segundo declaração recente de Bolsonaro. A origem desse ministério remonta ao Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, criado em 1930 por Getúlio Vargas. Em 1961, ele foi rebatizado para Ministério do Trabalho e Previdência Social. A Previdência ganhou posteriormente um Ministério próprio, mas essa independência teve idas e vindas, dependendo do Governo. Atualmente, ela está incorporada ao Ministério da Fazenda.

Bolsonaro também já demonstrou disposição em reunir Transportes, Portos, Aviação Civil e Comunicações sob o mesmo comando. Na quinta (8), ele recuou, indicando a criação de uma "Casa Civil da Infraestrutura". A criação de um Ministério da Infraestrutura foi testada por Collor e posteriormente desfeita por Itamar.

A proposta de criar a pasta de Educação, Cultura e Esportes também reune atribuições que já estiveram sob o mesmo comando. Quando assumiu o governo, Sarney dividiu o então Ministério da Educação e Cultura em dois. Alguns anos depois, Itamar rebatizou o ministério da Educação para Educação e Desporto. Esse ministério foi novamente dividido para originar o Ministério dos Esporte e Turismo, nos anos FHC.

A Casa Civil de Onyx Lorenzoni vai abarcar também Secretaria de Governo, além de incluir a Secretaria de Comunicação Social, que deixou de ter status de Ministério no Governo Temer.

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