Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Após campanha, é hora de conciliação, diz general Heleno

Principal conselheiro de Bolsonaro no Palácio do Planalto prega aceno à oposição

Marina Dias Igor Gielow
Brasília

Após a agressividade do seu discurso ao público na praça dos Três Poderes, Jair Bolsonaro (PSL) estreou seu primeiro dia útil como presidente com manifestações de conciliação por parte de sua equipe —até para a oposição.

“Óbvio que é o turning point [ponto de mudança]. É hora de conciliação. Uma coisa é a campanha, outra é governar para todos os brasileiros”, disse à Folha o general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional e principal conselheiro de Bolsonaro no Palácio do Planalto.​

O general Augusto Heleno (ministro do GSI), durante cerimônia de transmissão de cargo - Eduardo Anizelli/Folhapress

Decano do grupo de militares que cercou o presidente durante a corrida eleitoral, Heleno é chamado de “guru” por ministros de perfil político, como Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral), e dado a tônica para a nova postura.

Para ele, é preciso se despir das práticas usadas durante a campanha e fazer acenos, inclusive à oposição.

Onyx foi o primeiro ministro graduado a encampar a nova tática. Em seu discurso de posse como chefe da Casa Civil, nesta quarta-feira (2), pediu “pacto” com a oposição e disse que era preciso “dialogar” para evitar erros.

Afirmou ainda que a modulação do discurso havia sido combinada com o próprio presidente, que não discursou naquele evento e não voltou ao tema na sua fala à tarde, durante posse do novo comando do Ministério da Defesa.

Na véspera, porém, Bolsonaro havia feito um discurso duro após tomar posse como presidente, em Brasília. Disse que iria libertar o país do “socialismo”, associado ao PT, do “politicamente correto” e da “inversão de valores”.

“Não podemos deixar que ideologias nefastas dividam os brasileiros”, completou, aplaudido diante de milhares de apoiadores.

De improviso, também deu eco a um dos motes de seus eleitores, aquele que diz que a bandeira do Brasil “jamais será vermelha”. E continuou dizendo que ela só mudaria de cor se fosse preciso sangue para “mantê-la verde e amarela”.

O uso desse tipo de declarações, mais incendiárias, sempre fizeram parte da estratégia de Bolsonaro para manter sua base de apoio unida e aguerrida. Para Heleno, até mesmo esses rompantes precisam ser amenizados.

A avaliação do principal influenciador do núcleo decisório do Planalto é que é preciso adotar posição mais institucional e construir apoio no Congresso para fazer avançar as reformas estruturantes, principalmente a da Previdência e a tributária, logo nos primeiros meses de governo.

Bolsonaro montou seu primeiro escalão baseado em indicações das chamadas bancadas temáticas —importantes para votações de uma agenda conservadora nos costumes que pretende implantar— mas ainda há dúvidas sobre como se dará a relação entre Planalto e Congresso para a aprovação de medidas econômicas, por exemplo.

E é justamente sobre essa costura que Heleno pretende atuar ao amenizar o discurso. O agora ministro afirmou que Bolsonaro “deu aval” à nova tática porque sabe que é preciso construir pontes com os parlamentares, mas aliados do presidente afirmam que será difícil controlar suas falas espontâneas —principalmente nas redes sociais, seu principal canal de comunicação com seus eleitores.

Um dos filhos de Bolsonaro, Carlos, foi o responsável pela estratégia digital do pai nos últimos anos, marcada pelas críticas e ataques à oposição, em particular ao PT.

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