Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Bolsonaro anuncia publicitário no comando da Secretaria de Comunicação

Empresário Fábio Wajngarten foi confirmado no cargo pelo presidente da República

O presidente Jair Bolsonaro em evento de comemoração ao aniversário da Justiça Militar da União
O presidente Jair Bolsonaro em evento de comemoração ao aniversário da Justiça Militar da União - Pedro Ladeira - 28.mar.2019/Folhapress
Sérgio Dávila
Brasília

O presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta sexta-feira (5) que trocará o comando da Secom (Secretaria de Comunicação Social) na segunda-feira (8).

Segundo ele, assumirá o comando do órgão o publicitário Fábio Wajngarten, que ajudou na campanha presidencial de Bolsonaro no ano passado.

"Na Secom, vai ser o Fábio, do meio de vocês. Conheci há dois anos na comunidade israelita. Muitas vezes recorri a ele com dúvidas", disse o presidente, em café da manhã com jornalistas, no Palácio do Planalto. A Folha estava entre os convidados.

“Tem que melhorar e espero melhorar com o Fábio a partir de segunda”, disse Bolsonaro sobre a comunicação do governo.

Wajngarten substitui o publicitário Floriano Amorim, que foi chefe de gabinete do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente.

Ficam sob os cuidados da Secretaria de Comunicação a gestão de verbas e ações de publicidade e o atendimento à imprensa. A mudança na Secom ocorre após avaliação de que era preciso dar maior tecnicidade ao trabalho do órgão.

Nesse contexto, pesou o fato de a equipe econômica ter reforçado à Bolsonaro a necessidade de intensificar a publicidade da reforma da Previdência nos meios tradicionais de comunicação.

Wajngarten foi escolhido com aval da família Bolsonaro e com apoio do ministro da Economia, Paulo Guedes. O atual ocupante do órgão, Amorim, foi escolhido para o cargo durante o governo de transição por indicação de dois filhos do presidente —do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) e do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), com quem atuava no gabinete.

Contudo auxiliares do presidente vinham criticando sua gestão, argumentando que ele não tinha as qualificações técnicas necessárias para comandar a estrutura. Incomodou também a postura ideológica do secretário, que resistiu em aplicar recursos em canais de TV para publicidade da reforma da Previdência. 

A equipe econômica defende que não é possível aprovar as mudanças nas regras de aposentadoria sem uma massiva comunicação com a população, passando pelos meios tradicionais.

Segundo o porta-voz do Palácio do Planalto, Otávio do Rêgo Barros, o presidente avaliou que a comunicação do governo não está indo bem e que Bolsonaro acredita que, com a mudança, "é possível acelerar os processos de comunicação da Presidência".

Bolsonaro se elegeu adotando tom crítico à imprensa e prometendo cortar dinheiro público para emissoras de TVs e jornais. Ele chegou a chamar a TV Globo de "inimiga" em conversa com o ex-ministro Gustavo Bebianno.

A escolha de Wajngarten foi elogiada pelo escritor Olavo de Carvalho, guru da nova direita brasileira e influente na família Bolsonaro. “Alguém me disse que o Fábio Wajngarten foi convidado para dirigir a Secom. Será uma notícia auspiciosa. Espero que se realize”, escreveu ele no Twitter.

Participaram do encontro com o presidente: Sérgio Dávila (Folha de S.Paulo), João Caminoto (O Estado de S. Paulo), Alan Gripp e Paulo Celso Pereira (O Globo), Vera Brandimarte (Valor Econômico), Aruana Brianezi (A Crítica), Linda Bezerra (Correio da Bahia), Carlos Marcelo Carvalho (Estado de Minas), Leusa Santos (Folha de Pernambuco), Leonardo Mendes Júnior (Gazeta do Povo), Gerson Camarotti e Natuza Nery (Globonews), Luciana Gimenez (Rede TV), Eduardo Ribeiro (TV Record) e Carlos Etchichury (Zero Hora).

Colaborou Gustavo Uribe

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