Após ataques, ministro general faz encontro para demonstrar força política

Alvo de Olavo de Carvalho, Santos Cruz reúne congressistas de doze siglas em café da manhã

Gustavo Uribe
Brasília

Em uma semana em que enfrentou uma ofensiva capitaneada pelo escritor Olavo de Carvalho, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Santos Cruz, organizou nesta quinta-feira (9) um café da manhã com deputados federais no Palácio do Planalto.

O ministro da Secretaria de Governo, general Carlos Santos Cruz - Adriano Machado/Reuters

A reunião teve como objetivo discutir a pauta legislativa, mas congressistas convidados saíram do encontro com a impressão de que se tratou de um esforço para demonstrar força política no momento em que o general sofre críticas do núcleo ideológico do governo.

"Esse café foi uma demonstração de força do exército camuflado do Santos Cruz", afirmou à Folha o deputado federal Fausto Pinato (PP-SP).

Para o encontro, ele mobilizou 34 deputados federais de doze partidos diferentes. A metade dos congressistas presentes era do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro e de seu filho Eduardo Bolsonaro (SP), defensor de Olavo de Carvalho e que não compareceu ao encontro.

Diferentemente de seu filho, o presidente fez questão de comparecer ao café da manhã, assim como os ministros Paulo Guedes (Economia), Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Floriano Peixoto (Secretaria-Geral). O último é também do núcleo militar do governo.

Em uma reunião, que foi descrita como informal, o general agradeceu a presença dos parlamentares, pediu que apoiem a pauta econômica e defendeu que o diálogo do Poder Executivo com a Câmara dos Deputados seja intensificado.

"Na nossa cultura, o relacionamento é fundamenta. É sempre importante oportunizar mais um momento de interação entre o Executivo e Legislativo”, disse o general.

O encontro foi marcado no início da semana, após o escritor e seus seguidores terem intensificado, no domingo (5), os ataques ao general nas redes sociais. O movimento gerou reação do núcleo militar do governo, que o interpretou como um ataque às Forças Armadas.

No início da noite de domingo (15), após a sequência de ataques, Santos Cruz se reuniu com Bolsonaro. Segundo relatos de assessores presidenciais, no encontro, o general reclamou das críticas nas redes sociais e afirmou que deturparam declarações dele. No final da conversa, combinaram de não alimentar ainda mais a polêmica.

Apelidado no Congresso Nacional de "cara feia", por seu semblante sério, o general acabou se tornando, ao longo do tempo, o principal articulador do governo junto a parlamentares do baixo clero, que apresentam resistências ao ministro da Casa Civil.

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