Dodge diz que menção a Bolsonaro deve levar caso de Marielle ao STF

Ex-procuradora-geral afirma que caberá ao Supremo dizer se há indícios contra presidente

Carolina Linhares
São Paulo

A ex-procuradora-geral da República Raquel Dodge afirmou que a menção ao presidente Jair Bolsonaro (PSL) na investigação sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) deve fazer o caso ser levado ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Dodge disse ainda que é preciso aprofundar a apuração desse ponto e que caberá ao STF determinar se há indícios para que Bolsonaro seja processado.

A ex-procuradora-geral da República Raquel Dodge - Antonio Cruz -26.jun.2019/Agência Brasil

"Toda vez que há uma autoridade com foro por prerrogativa de função referida, ainda que não haja nenhuma evidência contra ela, os casos costumam ser remetidos ao foro competente. E imagino que deva acontecer igualmente nesse caso", disse a jornalistas.

"Esse tribunal [STF, no caso de Bolsonaro] dirá se os indícios são fortes realmente ou não para manter o processamento naquele juízo", completou.

Dodge participou nesta quarta-feira (30) do evento Summit Brasil, organizado pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Questionada sobre a gravidade da menção a Bolsonaro, a ex-procuradora-geral disse que essa avaliação cabe aos órgãos que conduzem a investigação, a Polícia Civil do Rio e o Ministério Público do Rio.

Dodge afirmou que esse trabalho não colide com o braço da apuração que ela conduziu no MPF (Ministério Público Federal) e que pode ser até complementar.

Ela denunciou Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio, ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) por atrapalhar as investigações do caso Marielle. "Apresentei denúncia atribuindo a eles esse crime de desvirtuamento das investigações, o que se mostra inclusive reforçado pelos fatos mais recentes", disse.

Ela pediu ainda ao STJ a abertura de um novo inquérito para apurar indícios de que Brazão tenha sido mandante do crime.

Segundo reportagem do Jornal Nacional, o ex-policial militar Élcio Queiroz, suspeito de envolvimento no assassinato de Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes em março de 2018, disse na portaria que iria à casa de Bolsonaro, na época deputado federal, no dia do crime.

Os registros de presença da Câmara dos Deputados, no entanto, mostram que Bolsonaro estava em Brasília nesse dia.

Segundo o depoimento do porteiro à Polícia Civil do Rio de Janeiro, o suspeito pediu para ir à casa de Bolsonaro e um homem com a mesma voz do presidente atendeu o interfone e autorizou a entrada. O acusado, no entanto, teria ido a outra casa dentro do condomínio.

”Estou conversando com o ministro da Justiça o que pode ser feito para tomar via PF o depoimento desse porteiro”, disse Bolsonaro nesta quarta (30), em Riad (Arábia Saudita). “De modo que esse fantasma que querem colocar no meu colo como mentor [do assassinato de Marielle] seja enterrado de vez”.

Para o presidente, o porteiro se equivocou ou acabou assinando o que o delegado escreveu. Ele afirmou ainda que deve ser uma pessoa “humilde” que está sendo “usada” pelo delegado a mando do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC).

Witzel nega. O governador disse que não vazou informações do caso nem teve acesso à investigação.

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