Alckmin recusa proposta do PSDB para ser candidato a vereador em São Paulo

Convidado pelo partido para puxar votos para a Câmara, ex-governador quer estudar em 2020

São Paulo

O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin recusou um convite do PSDB, extensivo à sua esposa, Lu Alckmin, para disputar uma vaga de vereador em São Paulo no ano que vem.

A proposta foi feita há cerca de dois meses pelo presidente do diretório municipal tucano na capital paulista, Fernando Alfredo.

A ideia seria transformar Alckmin num puxador de votos, o que contribuiria, segundo Alfredo, para aumentar a bancada do partido na Câmara dos atuais 10 vereadores para até 16. O convite foi revelado pela rádio CBN.

O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin e sua esposa, Lu, que foram convidados a se candidatar a vereadores - Mathilde Missioneiro/Folhapress

"O ex-governador teria condição de fazer por baixo meio milhão de votos, e seria importante para fortalecer muito nossa chapa de vereadores", afirma Alfredo.

Na conversa, segundo o presidente do diretório, teria surgido a ideia de, em caso de recusa de Alckmin, lançar Lu como candidata a vereadora.

Como argumento, Alfredo usou o fato de que em 2020, pela primeira vez, não haverá coligação para a eleição proporcional. Nesse novo cenário, afirmou, é importante os partidos apresentarem chapas fortes para a Câmara.

Segundo o dirigente tucano, Alckmin, na ocasião, afirmou que iria pensar no assunto. "A gente conhece o governador, ele quando não quer descarta de cara. O fato de não ter feito isso nos deu esperança", afirmou.

À Folha, no entanto, o ex-governador descartou a sondagem e disse que não pretende disputar nenhum cargo na eleição de 2020.

"Estou me dedicando à medicina, e pretendo fazer um mestrado ou doutorado na área de saúde no ano que vem", afirmou o tucano.

Segundo ele, a hipótese de doutorado é possível porque ele fez residência médica, que é uma forma de pós-graduação.

Alckmin afirma que ainda não definiu seu tema de pesquisa, mas gostaria de se dedicar a um projeto de estudo sobre a dor. Além disso, pretende continuar dando aulas na Uninove e na Unimes, em Santos.

Ele também descartou a possibilidade de Lu Alckmin disputar uma cadeira no Legislativo municipal. "A Lu tem se dedicado muito à questão social, ela tem um trabalho nessa área."

Sempre lembrado para disputar a Prefeitura de São Paulo, Alckmin também diz que rejeita a possibilidade, mesmo com o câncer descoberto recentemente no prefeito Bruno Covas (PSDB).

"O Bruno tem a seu favor a juventude. Seu maior aliado é ter menos de 40 anos. Ele tem muita garra e vai se curar", afirmou.

O ex-governador viu de perto a doença de Mário Covas, de quem era vice, e que morreu em 2001 aos 70 anos. Mário era avô de Bruno. "O Covas era um guerreiro, mas os casos são completamente diferentes. A começar pela questão da idade", afirma Alckmin.

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