PSL reage a Bolsonaro e diz que projeto familiar soa pouco republicano

Partido afirma ter mandatos de deputados e que 'não cederá a nenhum tipo de achaque'

Brasília

A direção do PSL reagiu nesta quarta-feira (13) à decisão do presidente Jair Bolsonaro de sair da sigla pela qual foi eleito para criar a Aliança Pelo Brasil

Em nota assinada pela comissão executiva nacional, o PSL classificou o novo partido a ser criado por Bolsonaro como projeto pouco republicano.

"Projetos personalistas e familiares soam pouco republicanos em um momento em que se procura conferir transparência à vida pública e, sobretudo, política", diz o texto.

O documento reafirma que os mandatos dos deputados federais eleitos pelo PSL pertencem ao partido e que a direção da sigla "não cederá a nenhum tipo de achaque ou desvirtuamento da legalidade ou da moralidade por quem quer que seja". 

Segundo os dirigentes do PSL, o chamado troca-troca partidário "desacredita o nosso sistema e enfraquece a democracia". "O PSL acredita em instituições fortes e um partido estruturado."

De acordo com o PSL, embora Bolsonaro e seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (RJ), tenham anunciado a saída do partido, a direção da sigla ainda não recebeu oficialmente os pedidos de desfiliação. 

Bolsonaro comunicou nesta terça-feira (12) a deputados aliados que vai deixar o PSL para fundar uma nova agremiação —a nona de sua carreira política. Em seguida, ele fez o anúncio nas redes sociais.

A saída do presidente do PSL ocorre na esteira das denúncias sobre o esquema de candidaturas de laranjas nas eleições de 2018, revelado pela Folha em fevereiro. 

A mudança se dá também no momento em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apontado como principal opositor de Bolsonaro, está solto. Ele passou 580 dias preso em Curitiba, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex de Guarujá (SP).

O racha no partido ficou evidente em outubro, quando Bolsonaro disse que o presidente do PSL, Luciano Bivar, estava "queimado pra caramba". A legenda tem a segunda maior bancada da Câmara, com 53 deputados.

A direção da legenda diz que o PSL "continua comprometido com as ideias e valores que elegeram o presidente Jair Bolsonaro": "o liberalismo econômico —com um Estado enxuto e eficiente — e o conservadorismo nos costumes". 

"Ao longo desses 11 meses de governo, o partido manteve-se fiel às pautas propostas pelo Executivo. Votou integralmente a favor da reforma da Previdência e apoia as reformas tributária, administrativa, a PEC [proposta de emenda à Constituição] do Pacto Federativo e o pacote anticrime do ministro Sérgio Moro", afirma a legenda. 

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