Em evento na USP, Lula ataca imprensa e Lava Jato e fala em acabar com fascismo

Ex-presidente fez críticas ao governo Bolsonaro durante lançamento de livro de seus advogados, em SP

São Paulo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em evento na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da USP (Universidade de São Paulo), atacou a imprensa e a Lava Jato e prometeu combater o atual governo e acabar com o fascismo. 

Lula disse que houve um acordo para persegui-lo e evitar que o PT continuasse governando o país. 

“Neste país houve um acordo tácito entre a imprensa brasileira e o coordenador da Lava Jato, que é o [ex-juiz Sergio] Moro. O Moro, antes de começar o processo, ele visitou o Estadão, visitou a Folha, visitou o Globo, visitou a Record, visitou Bandeirantes, visitou SBT e com isso conseguiu o seguinte acordo, num documento que ele publicou chamado Mani Puliti, em que está descrito que só era possível prender políticos, prender gente rica se a imprensa ajudasse”, diz o petista. 

Lula segura o microfone e tem o braço direito erguido; ao fundo, vê-se um auditório de dois andares com pessoas assistindo ao discurso
O ex-presidente Lula discursa durante lançamento de livro na Faculdade de Direito da USP, em São Paulo - Bruno Santos/ Folhapress

O ex-presidente se referia a um ensaio escrito por Sergio Moro sobre a operação Mãos Limpas, na Itália (Mani Pulite, em italiano), a qual considera "uma das mais impressionantes cruzadas judiciárias contra a corrupção política e administrativa". 

O texto foi escrito em 2004. A Lava Jato, por sua vez, teve início em 2014.

O discurso de Lula aconteceu durante o lançamento do livro “Lawfare, uma Introdução” escrito pelos seus defensores Cristiano Zanin e Valeska Teixeira em conjunto com o advogado Rafael Valim. 

O evento aconteceu no salão nobre da Faculdade de Direito, no centro da capital paulista. A obra trata da teoria de que o ex-presidente é vítima de perseguição política por meio do Judiciário. 

“E qual era a ajuda da imprensa? Era tornar, junto à opinião pública, verdadeiras as mentiras que a força-tarefa, a Polícia Federal e o juiz contavam”, diz Lula.

“Eu tinha certeza eles queriam evitar que o PT ou o Lula pudesse voltar a governar o Brasil em 2018. Eles passaram a transmitir o ódio no país a partir das manifestações em 2013 e aumentaram este ódio em 2014”, disse o ex-presidente.

Lula também disse estar com disposição para combater o governo Bolsonaro e “derrotar o fascismo” no Brasil. 

Participaram do evento o ex-primeiro-ministro de Portugal José Sócrates e o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT). A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) era esperada para fazer parte da mesa, mas não compareceu. 

O início do evento estava previsto para as 19 horas, mas Lula chegou com cerca de uma hora de atraso.

Ele  entrou pela garagem do prédio paralelo ao da USP e atravessou a rua por uma passarela que dá acesso ao segundo andar do edifício da faculdade. O salão nobre fica no primeiro andar. 

O local estava lotado. Um grupo de alunos não conseguiu entrar.

Lula foi ovacionado por estudantes, e no final do evento, tirou fotos com admiradores.

Após 580 dias preso na Polícia Federal em Curitiba, Lula foi solto no início de novembro, beneficiado por um novo entendimento do STF (Supremo Tribunal Federal) segundo o qual a prisão de condenados somente deve ocorrer após o fim de todos os recursos. O petista, porém, segue enquadrado na Lei da Ficha Limpa, impedido de disputar eleições.
 

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