Governo Bolsonaro usa conta oficial nas redes sociais para defender ato deste domingo

Manifestação tem defesa do presidente na pauta, mas parte dos organizadores ataca Legislativo e Judiciário

Brasília

A Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social) da Presidência da República utilizou o seu perfil oficial nas redes sociais para defender o protesto marcado para o próximo domingo (15).

manifestação tem em sua pauta a defesa do presidente Jair Bolsonaro, mas parte dos organizadores do protesto levanta bandeiras contra o Legislativo e o Judiciário, o que tem criado um desgaste na relação entre o Planalto e o Congresso.

Na mensagem, divulgada na noite de terça-feira (10), a estrutura que coordena a comunicação institucional lembrou que o presidente já disse que a manifestação é legítima e ressaltou trecho de discurso feito por ele nos Estados Unidos.

"As manifestações do dia 15 de março não são contra o Congresso nem contra o Judiciário. São a favor do Brasil", disse.

Desde a semana passada, o presidente tem feito convocação pública para o protesto, o que já foi criticado tanto pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), como do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli.

A expectativa é a de que a manifestação ocorra em pelo menos 154 cidades, incluindo todas as capitais do país. O presidente e a equipe ministerial, no entanto, não devem marcar presença nos protestos.

Apesar do apoio de Bolsonaro, a mobilização nas redes sociais em torno da manifestação apresentou uma queda nos últimos dias, segundo pesquisa da consultoria Quaest. Além disso, cerca de 6% dos usuários que tuitaram apoiando a manifestação foram identificados como robôs.

Nesta terça-feira, organizadores dos protestos consultaram o Ministério da Saúde sobre o risco de contaminação pelo coronavírus. A pasta disse que, por se tratar de uma manifestação em local aberto, o risco de contágio não é grande.

Nesta semana, o presidente pressionou o Congresso ao dizer que a população não quer o Parlamento como "dono do destino de R$ 15 bilhões" do Orçamento. Bolsonaro também voltou a colocar em xeque a Justiça Eleitoral ao afirmar, sem apresentar provas, que houve fraude na eleição de 2018 e que, na prática, ele foi eleito no primeiro turno.

As declarações do presidente ocorreram às vésperas das manifestações de bolsonaristas que miram ataques ao Legislativo e ao Judiciário —e que ele nega ser contra os dois Poderes. Bolsonaro atrelou os atos do dia 15 de março ao acordo que selou a divisão do Orçamento de R$ 30 bilhões entre governo e Congresso e que teve aval do próprio presidente.

O presidente já havia motivado indignação nos presidentes dos outros Poderes no sábado (7), durante evento em Roraima, quando fez uma convocação aos protestos do dia 15, aos quais classificou como "espontâneos" e "pró-Brasil".

Em reação à mensagem, a bancada federal do PSOL ingressou com uma representação no Ministério Público Federal contra o presidente, o ministro Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e o chefe da Secom, Fabio Wajngarten.

O pedido ressalta que a postagem viola o princípio da impessoalidade, previsto na Constituição. "No fundo, é uma crítica pessoal, de cunho personalíssimo e antidemocrático, com orientação contrária à Constituição Federal, sem nenhum tipo de interesse público envolvido", observou.

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