Descrição de chapéu DeltaFolha

Direita vê Mandetta como golpista e chegou a comemorar sua queda em rede social

Análise da Folha no Twitter mostra que centro apoia o ministro; esquerda elogia e critica auxiliar de Bolsonaro

São Paulo

Amplo apoio no centro, apoio moderado na esquerda e ataque pesado mais à direita. Foi assim que os usuários do Twitter reagiram à possibilidade de demissão do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Sua saída chegou a ser cogitada na segunda (6), mas ele acabou mantido no cargo por enquanto pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

No espectro conservador, os tuítes mais populares falaram em golpe de Mandetta e de seu partido (DEM) contra o presidente. E chegou a haver comemoração pela queda do ministro, saída que depois não se confirmou.

A Folha analisou 270 mil mensagens no Twitter relacionadas ao ministro entre as 15h da segunda e 13h do dia seguinte (período que compreende o momento que começou a surgir a informação da possível demissão e horas após a entrevista do ministro dizendo que ficaria).

O post mais retuitado na direita é de um influenciador da direita, Leandro Ruschel, que questiona se o ministro trabalha para Bolsonaro ou para o centrão —Mandetta recebeu apoio dos colegas de partido Rodrigo Maia e David Alcolumbre, presidentes da Câmara e do Senado, respectivamente, e integrantes do DEM, que integra o centrão.

O terceiro tuíte mais popular na direita, do perfil isentoes2, comemorava a saída de Mandetta, chamando de “grande dia”.

Bolsonaro e Mandetta vêm discordando de como combater o coronavírus. O ministro defende o isolamento de toda a população, para evitar que a Covid-19 se espalhe rapidamente. Já Bolsonaro ressalta o prejuízo econômico que as pessoas estão sofrendo com comércio, empresas e escolas fechadas. E defende o isolamento apenas das populações mais vulneráveis.

Até a semana passada, a tensão ocorria apenas nos bastidores. Os usuários de direita no Twitter seguiam a linha de que era a mídia quem fabricava a crise. A situação mudou na quinta (2), quando Bolsonaro cobrou, publicamente, mais humildade de seu auxiliar.

As mensagens mais populares na direita passaram a se dividir entre ataque ao ministro e elogio a Mandetta.

Nesta semana, o humor nesse espectro ficou mais contrário a Mandetta. Dos dez tuîtes mais populares, apenas um defendia o ministro. Outros afirmam que o ministro está se posicionando para disputar a eleição para presidente, contra o atual chefe.

Na esquerda, o cenário é mais favorável ao titular da Saúde. O tuíte mais popular nesse espectro foi do youtuber Felipe Neto, dizendo “se o Bolsonaro demitir Mandetta pra colocar um olavista lunático (Osmar Terra) no lugar, remover o Presidente do poder será questão de saúde pública emergencial. Algo terá que acontecer”.

Mas nem tudo foi apoio ao ministro. O sexto e sétimo tuítes mais populares na esquerda foram críticos ao ministro, dizendo que ele minou o programa Mais Médicos e chamou-o de privatista.

No centro, as dez mensagens mais populares foram positivas ao ministro. Mas esse campo se manifestou pouco na discussão. No levantamento da reportagem, foram 17 mil usuários no debate, contra 30 mil da direita e 46 mil na esquerda.

A classificação dos usuários entre centro, direita e esquerda é feita pelo GPS Ideológico, ferramenta da Folha que categorizou 1,7 milhão de perfis no Twitter, com interesse em política. Os usuários são distribuídos numa reta, do ponto mais à direita ao mais à esquerda, de acordo com quem eles seguem na rede social.

Para esta análise, os quase 2 milhões de perfis foram divididos em três grupos: 33% mais à direita, 33% mais ao centro e 33% mais à esquerda.

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