Bolsonaro pede a apoiadores que não saiam às ruas em dia de protesto contra o governo

No próximo domingo (7), em Brasília, está convocada uma manifestação contra o presidente

Brasília

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) orientou seus apoiadores a não irem para as ruas no próximo domingo (7), em Brasília, já que está convocada uma manifestação antifascista para o mesmo dia.

"Olha, estão marcando domingo um movimento, né? Deixa eles sozinhos domingo. Eu não coordeno nada, não sou dono de grupo. Não participo de nada. Só vou prestigiar vocês, que estão me apoiando, fazem um movimento limpo, decente, pela democracia, pela lei e pela ordem. Eu apenas compareço", disse.

"Não conheço praticamente ninguém destes grupos. Eu acho que já que eles marcaram para domingo, deixa eles domingo lá", completou Bolsonaro.

Todos os domingos, bolsonaristas a favor do governo, de intervenção militar e com críticas ao Congresso e ao STF (Supremo Tribunal Federal) passam pela Esplanada dos Ministérios e se aglomeram diante do Palácio do Planalto, onde o presidente os espera para cumprimentá-los.

Ativistas que se dizem contrários ao fascismo haviam convocado manifestação para o mesmo local no sábado (6). No entanto, o ato foi remarcado para a manhã de domingo (7).

Bolsonaro falou com os apoiadores na manhã desta segunda-feira (1º) em uma pista de acesso na área interna do Palácio do Alvorada, longe dos jornalistas. Do lado de fora, mesmo quando ele ignora a imprensa, emissoras de TV conseguem captar o áudio da conversa do presidente com a claque.

"A imprensa não vai poder dizer mais que eu estou agredindo ela, está certo? Conversar com o povo porque este pessoal aí não... se transmitisse a verdade, tudo bem, mas deturpam, inventam", disse Bolsonaro.

A conversa foi transmitida ao vivo por apoiadores e pela própria equipe da Presidência da República.

O presidente Jair Bolsonaro sobrevoa de helicóptero a praça dos três poderes durante uma manifestação em apoio ao governo
O presidente Jair Bolsonaro sobrevoa de helicóptero a praça dos três poderes durante uma manifestação em apoio ao governo - Pedro Ladeira/Folhapress

Na interação, Bolsonaro voltou a defender a população armada e fez críticas ao ex-ministro da Justiça Sergio Moro.​ Ele responsabilizou seu ex-auxiliar por uma instrução normativa que dificultava posse e porte de arma.

"Por isso, naquela reunião secreta, o Moro, de forma covarde, ficou calado", disse Bolsonaro. "Este era o cara que estava lá, perfeitamente alinhado com outra ideologia que não era a nossa. Graças a Deus ficamos livre dele", afirmou Bolsonaro.

Diante do apoio do grupo a seu discurso, o presidente afirmou não estar pensando em reeleição e afirmou que "uma arma legal não é para cometer crime, é para evitar crime" e que a campanha do desarmamento foi para cima do "cidadão de bem", "não foi para cima de quem tem arma legal".

"Queremos o povo armado de forma legal", disse Bolsonaro.

Em nota, o ex-ministro da Justiça afirmou que o presidente “desejava” armar a população para “promover uma espécie de rebelião armada” contra as medidas sanitárias.

“Sobre políticas de flexibilização de posse e porte de armas, são medidas que podem ser legitimamente discutidas, mas não se pode pretender, como desejava o presidente, que sejam utilizadas para promover espécie de rebelião armada contra medidas sanitárias impostas por Governadores e Prefeitos”, afirmou Moro.

O ex-ministro disse ainda que a revogação da portaria que criava mecanismo para rastrear armas e munições beneficia criminosos.

Em abril, Bolsonaro determinou a revogação de três portarias do Comando Logístico (Colog) do Exército que definiam as normas para o acompanhamento e o rastreamento de produtos controlados pelos militares. “A revogação pura e simples desses mecanismos de controle não é medida responsável.”

Protesto em favor da democracia na avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (31)
Protesto em favor da democracia na avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (31) - Roberto Casimiro/Fotoarena/Folhapress

O presidente Bolsonaro enfrenta o seu pico de rejeição desde o início do mandato, em janeiro do ano passado. Segundo pesquisa Datafolha da semana passada, 43% dos brasileiros consideram o governo ruim ou péssimo. Recorde na gestão, esse número era de 38% no levantamento anterior, no final de abril.

Por outro lado, 33% dos brasileiros consideram sua gestão ótima ou boa. Já aqueles que acham o governo regular, potenciais eleitores-pêndulo numa disputa polarizada, são 22%.

De acordo com a mesma pesquisa, as possibilidades de impeachment e de renúncia do presidente continuam dividindo a população praticamente ao meio.

Disseram que o Congresso não deve abrir processo para afastar o presidente 50% dos entrevistados. Para 46%, o Legislativo deveria dar início ao processo. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Em relação à renúncia, 50% acreditam que o presidente não deve renunciar, enquanto a taxa de quem defende a renúncia de Bolsonaro atingiu 48%.

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