Com Covid-19, Bolsonaro passeia de moto e conversa sem máscara com garis no Alvorada

Presidente fez três exames de coronavírus e permanece em isolamento na residência oficial

Brasília

Infectado pelo coronavírus e cumprindo isolamento no Palácio da Alvorada, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) passeou de moto dentro da propriedade nesta quinta-feira (23) e, sem máscara, conversou com profissionais que fazem a limpeza na área externa da residência oficial.

O passeio do presidente, que está no Alvorada desde 6 de julho e já fez três exames para a Covid-19, foi registrado pela agência Reuters.

Nas imagens, Bolsonaro está sem máscara e faz uma parada para conversar com um grupo de funcionários da limpeza. Em determinado momento, ele tira o capacete para falar com os garis.

O presidente Jair Bolsonaro, de moto, em conversa com funcionários da limpeza no Palácio da Alvorada
O presidente Jair Bolsonaro, de moto, em conversa com funcionários da limpeza no Palácio da Alvorada - Adriano Machado/Reuters

O uso de máscaras é indicado por especialistas como importante para evitar a contaminação pelo vírus.

A Secretaria-Geral da Presidência, responsável pela zeladoria do palácio, disse que lhe não cabe se manifestar sobre se Bolsonaro descumpriu ou não algum protocolo sanitário no passeio.

O órgão destacou que os trabalhadores que aparecem nas fotografias prestam serviço de jardinagem, terceirizados da empresa WM Paisagismo.

Os três testes feitos por Bolsonaro para detectar o coronavírus deram positivo. O último deles foi divulgado na quarta-feira (22).

O presidente só deve deixar o Palácio da Alvorada quando análises clínicas não identificarem mais a presença do vírus.

A Secretaria-Geral da Presidência também afirmou, em nota, que todas as empresas terceirizadas foram orientadas a observar indicações e diretrizes "quanto aos cuidados preventivos aos riscos de contágio com Covid-19".

"Na hipótese de ter havido contato próximo (menos de um metro de distância), por período prolongado, com uma pessoa com Covid-19, a decisão [sobre cumprimento de isolamento pelos funcionários] caberá à empresa", afirmou a Secretaria-Geral.

Embora diga que está em isolamento e que só tem contato físico com auxiliares que já se curaram da Covid-19, o presidente passou nos últimos dias a acompanhar a arriamento da bandeira nacional em frente ao jardim do Palácio da Alvorada.

Nessas ocasiões, ele interage com apoiadores que costumam esperá-lo em frente ao Alvorada, causando aglomerações no local.

No final da tarde desta quinta, Bolsonaro interagiu novamente com seus simpatizantes.

Bolsonaro mostra uma caixa de cloroquina em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília - Adriano Machado/Reuters

Ele disse que já poderia voltar a trabalhar normalmente após o 14º dia de isolamento, mesmo com um resultado positivo para a Covid, mas que preferiu permanecer no Alvorada porque seria criticado caso retomasse sua rotina antes de um exame negativo.

"A vantagem é que eu tô livre [do coronavírus] já" , disse.

Ele voltou a argumentar que não há como evitar o contágio pela Covid, a não ser em casos de isolamento extremo, e que "quem está vivendo em sociedade mais cedo ou mais tarde vai pegar [o vírus]".

"Não tem como evitar morte no tocante a isso. No Brasil ninguém morreu, que eu tenha conhecimento, por falta de atendimento médico. Todos os recursos o governo repassou para estados e municípios", declarou.

"Alguns estão falando que isso vai durar até 2022. Imagine, vai empobrecer todo mundo. Se continuar com essa política que está aí [de isolamento e paralisação da atividade econômica], empobrece todo mundo", concluiu.

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