Juiz manda soltar fundador da Qualicorp e mais dois presos em operação

Empresário tinha sido preso em operação envolvendo o senador José Serra (PSDB-SP)

São Paulo

O juiz eleitoral Marco Antonio Martin Vargas determinou a soltura na noite desta sexta-feira (24) do fundador da Qualicorp, José Seripieri Filho, o Júnior, e de outras duas pessoas que tinham sido presas na última terça (21) em operação que envolve o senador José Serra (PSDB-SP).

O magistrado aceitou também depósito caução de R$ 5 milhões proposto por Seripieri, quantia que, disse, garante eventual futura reparação de danos, e revogou o bloqueio de valores.

Para Martin Vargas, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, a permanência da prisão não é mais imprescindível para o sucesso das investigações. O juiz afirmou os três suspeitos já foram interrogados e que os objetos a serem periciados já estão com a polícia, "não havendo qualquer risco de destruição ou ocultação".

Também tiveram a prisão revogada Rosa Maria Garcia e Mino Mazzamati, donos de empresas por onde passou parte do dinheiro investigado.

José Seripieri, que tinha sido preso nesta semana
José Seripieri, que tinha sido preso nesta semana - Zanone Fraissat - 25.out.13/Folhapress

A operação batizada de Paralelo 23, deflagrada na terça, apura suspeita de caixa dois na campanha do senador tucano em 2014.

A investigação também incluía cumprimento de mandado de busca e apreensão no gabinete de Serra em Brasília, mas a diligência foi barrada pelo Senado e depois suspensa pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli.

De acordo com a investigação, o empresário do setor de planos de saúde repassou R$ 5 milhões a duas empresas, que, por sua vez, fizeram transferências para outras três, indicadas por Serra. O inquérito tem como um de seus fundamentos a colaboração com a polícia de um ex-diretor da Qualicorp, Elon Gomes de Almeida.

Além da Qualicorp, a PF apontou a existência de outros pagamentos relacionados a outras grandes empresas, uma delas do setor de alimentos e outra do ramo da construção civil, que juntas teriam feito pagamentos irregulares na soma de quase R$ 2 milhões à campanha de Serra ao Senado.

O tucano já havia sido alvo de uma outra operação da PF no início do mês e foi denunciado na ocasião sob suspeita de lavagem de dinheiro transnacional.

Nesta semana, o senador disse lamentar a "espetacularização" da operação e afirmou que espera que o caso seja esclarecido o mais breve possível.

Após a prisão, a defesa de Seripieri disse: "Tratava-se de uma prisão injustificada. Menos mal que sua soltura tenha sido antecipada".

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