Descrição de chapéu Eleições 2020

Nome de ex-presidente da OAB para disputar Prefeitura de SP abre crise com Roberto Jefferson e racha PTB

Chefe nacional do partido, Roberto Jefferson diz que Marcos da Costa não é conservador o bastante

São Paulo

A indicação de Marcos da Costa, ex-presidente da seção paulista da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), para ser candidato do PTB a prefeito de São Paulo abriu uma crise no partido.

Chancelado pelo presidente do diretório estadual da legenda, Campos Machado, o nome de Costa é rejeitado pela principal liderança nacional petebista, o ex-deputado Roberto Jefferson (RJ). Motivo: falta de conservadorismo.

O ex-presidente da OAB-SP Marcos da Costa, indicado pelo PTB paulista como seu candidato a prefeito de SP - Mathilde Missioneiro/Folhapress

“Esse nome me desagradou em cheio. As posições deles conflitam com as minhas. Ele é petista, não é conservador”, afirmou Jefferson, atualmente um dos mais aguerridos defensores do presidente Jair Bolsonaro.

Uma das atitudes que irritaram o cacique petebista foi o fato de Costa ter ajudado a organizar um manifesto jurídico em defesa da democracia, no final de maio.

Assinado por quase 200 profissionais ligados ao direito, o texto pede que as Forças Armadas respeitem a democracia e rejeita que elas tenham um papel moderador.

“A nação conta com suas Forças Armadas como garantia de defesa dos Poderes constitucionais, jamais para dar suporte a iniciativas que atentem contra eles”, diz.

Os signatários do texto rejeitam a interpretação segundo a qual o artigo 142 da Constituição, que trata das Forças Armadas, pode ser invocado para estabilizar o país em situações de desordem.

A grande maioria dos juristas partilha desta visão, mas Jefferson e grande parte da base de apoio a Bolsonaro têm opinião diversa.

O ex-deputado é um dos que defendem que os militares podem ser invocados pelo presidente para evitar, por exemplo, supostas interferências do Judiciário em suas decisões.

“Ele [Costa] já deu demonstração de indisciplina contra mim em manifesto contra posição que eu defendo. Esse advogado esposa teses que não são as minhas. Não vou permitir que um cidadão que afronte meus princípios seja candidato na cidade mais importante do país”, afirmou Jefferson.

O ex-deputado confirma que foi consultado por Machado, mas nega que tenha dado o aval ao nome de Costa. “O Campos já é idoso, é teimoso, ele insiste. Mas vou resolver isso com calma”, afirma.

O relato de Campos Machado é diferente. Segundo ele, houve uma conversa com Jefferson há alguns dias, em que foi sacramentada a opção pelo ex-presidente da OAB.

“Recebi o Roberto Jefferson e ponderamos que é melhor lançar um candidato a prefeito aqui. Faz 25 anos que não tínhamos candidato na capital do mais importante estado do país. E seria um importante estímulo para outros candidatos a prefeito no Estado”, afirmou.

Segundo Machado, que também é secretário-geral nacional do partido, Costa tem a vantagem de ser um candidato novo, de fora da política, mas com muita experiência.

“Além da história como presidente da OAB, ele é bem relacionado com o pessoal de cultura, por exemplo. Ele está muito animado, é um candidato novo, com uma bela história de vida”.

Jefferson afirma que o partido terá candidato próprio em São Paulo, mas que será outro nome, mais alinhado aos valores do conservadorismo. Segundo ele, isso é importante porque o pleito transcenderá uma mera disputa sobre quem governará a cidade.

“Essa eleição não é apenas política, é uma guerra santa, contra Foro de São Paulo, George Soros, PT, FHC, todo mundo que quer destruir a família cristã. Não quero um abortista, petista, uma pessoa contra a família e a favor de teoria de gênero como candidato do PTB”, afirmou.

Recentemente, o PTB filiou o deputado estadual Douglas Garcia, expulso do PSL e forte apoiador do presidente. Jefferson não descartou que seja ele o candidato do partido, e citou também militares seus amigos.

“Pode ser um coronel do Exército que seja meu amigo, que tenha liderança. Um candidato identificado como bolsonarismo, com o conservadorismo, com a formação judaico-cristã do nosso povo”, afirmou.

A Folha procurou Marcos da Costa, que não respondeu ao pedido de entrevista.

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