Deputados da oposição defendem modelo Kirchner para derrotar Bolsonaro

José Guimarães (PT-CE) e Alessandro Molon (PSB-RJ) participaram do Ao Vivo em Casa

Brasília

Os deputados federais Alessandro Molon (RJ), líder da bancada do PSB e ex-líder da oposição na Câmara, e José Guimarães (CE), responsável pelo grupo que coordena as candidaturas municipais do PT, defenderam nesta segunda-feira (5) que as esquerdas se unam em torno de uma candidatura em 2022 que tenha chances reais de ganhar, mesmo que para isso candidatos já consolidados abram mão de encabeçar a disputa.

O modelo citado foi o da ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner, que apesar de sua popularidade, mas diante do também relevante desgaste, decidiu se candidatar como vice de Alberto Fernández, chapa que conseguiu a vitória sobre Mairicio Macri em outubro de 2019

Os dois deputados federais debateram o futuro da esquerda, os prognósticos para as eleições de novembro e os eventuais reflexos para 2022 no Ao Vivo em Casa, a série de lives da Folha com entrevistas, dicas, serviços e apresentações musicais.

A mediação foi feita por Ranier Bragon, repórter especial da Folha.

Afirmando que a esquerda sozinha não irá vencer eleições, Molon defendeu que as esquerdas, com base em um programa a ser apresentado à sociedade, escolha a melhor chapa para vencer o segundo turno.

"O critério de escolha não deve ser quem está melhor colocado no primeiro turno, porque pode ser que o melhor colocado no primeiro turno tenha menos chance de vencer no segundo turno", afirmou o deputado, citando o exemplo de Cristina Kirchner, que, segundo ele, perderia as eleições caso tivesse decidido manter-se como cabeça de chapa.

"O gesto da Cristina foi um gesto muito nobre, muito grandioso, que nem todos os homens públicos tem essa mesma grandeza", afirmou Guimarães, dizendo que, em sua opinião, todas as forças de esquerda devem se reunir e buscar um caminho que os viabilize.

"O PT não vai querer hegemonizar quando chegar em 2022, é muito cedo. Não vejo problema nenhum em o PT sentar-se à mesa e discutir com as demais forças do campo progressista uma saída para 2022."

Guimarães também negou que o PT esteja isolado dos demais partidos da esquerda, citando números de alianças com as siglas em todo o país, apesar de nas maiores predominar uma dobradinha PSB-PDT, além do isolamento quase total do PT nas três principais capitais: São Paulo, Rio de Janeiro (tem o apoio apenas do PC do B) e Belo Horizonte.

O PT lançou o maior número de candidatos a prefeito nas maiores cidades, mas em 40% delas está isolado, sem apoio de outras siglas.

Os dois parlamentares afirmaram ainda ter como certo a vitória do democrata Joe Biden sobre o republicano Donald Trump nos Estados Unidos, resultado que, dizem acreditar, terá reflexo em todo o mundo.

Sobre a necessidade de uma autocrítica da esquerda, o deputado do PSB a defendeu sob o argumento de que, caso contrário, eleitores que migraram para outros campos dificilmente retornarão.

Guimarães afirmou que o PT errou em não fazer reformas estruturantes que afirma que o partido deveria ter se empenhado em fazer, além de dizer que a sigla não deveria ter participado, no Parlamento, das discussões que resultaram no impeachment de Dilma Rousseff, em 2016.

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