Descrição de chapéu Eleições 2020

Kalil confirma favoritismo e é reeleito em Belo Horizonte

Atual prefeito da capital mineira driblou polarizações e focou ações para classes populares

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Belo Horizonte

Como nas pesquisas que apontavam vantagem com folga sobre os adversários, Alexandre Kalil (PSD) confirmou o favoritismo nas urnas e foi reeleito prefeito da capital de Minas Gerais.

Ele obteve 63,36% dos votos válidos. Bruno Engler (PRTB), com 9,95%, João Vítor Xavier, 9,22%, e Áurea Carolina (PSOL), 8,33%, vieram na sequência.

Nas pesquisas realizadas pelo Datafolha na capital mineira durante a campanha, Kalil passou de 56% (em levantamento entre os dias 5 e 6 de outubro) para 61% (entre os dias 13 e 14 de novembro) —69% considerando apenas votos válidos.

Na manhã de domingo, Kalil falou com jornalistas no seu local de votação, no bairro de Lourdes, e disse que estava confiante. “Se tudo se confirmar, porque foram sete institutos de pesquisa, a gente espera ter uma boa vitória hoje, mas com muita humildade. Acho que está nas mãos de Deus”, afirmou.

Ele acompanhou a apuração em casa, no mesmo bairro, com os senadores Carlos Viana e Anastasia, ambos do PSD, os dois vices —o atual Paulo Lamac, e o que concorreu à reeleição agora, Fuad Noman— além do presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Agostinho Patrus (PV).

“É com muita humildade que recebo esse estupendo resultado, um resultado amplo, um resultado consagrador”, afirmou ele em seu discurso após a confirmação, lembrando que sua campanha não teve muitas agendas. “Não tem agora direita, não tem negócio de esquerda, não tem nada. Vamos continuar governando para quem precisa."

Ex-cartola do Atlético-MG, ele disputou a primeira eleição em 2016, quando foi eleito prefeito em segundo turno, pelo PHS e com apenas dois partidos na coligação —PV e Rede—, derrotando o agora deputado estadual João Leite (PSDB), com 53% dos votos.

No primeiro turno de 2016, ele ficou em segundo lugar, com 26% dos votos contra 33% do tucano. Kalil tinha ensaiado concorrer a deputado federal em 2014, pelo PSB, mas desistiu logo no início da campanha.

Neste ano, no PSD, a coligação passou para um total de oito partidos, com tempo de TV de mais de dois minutos —na eleição passada, eram cerca de 20 segundos. O slogan “chega de político” sumiu da campanha. Os santinhos de agora tiveram a foto do prefeito com a cara séria.

As medidas consideradas mais duras adotadas contra a pandemia do novo coronavírus, que mantiveram parte do comércio fechado por meses —shoppings centers só reabriram em agosto, com horário limitado, por exemplo—, apesar de criticadas por adversários e parte da população, não afetaram seus números.

As decisões tomadas na pandemia parecem ter ajudado com a aprovação junto aos eleitores. Na primeira pesquisa do Datafolha destas eleições na capital mineira, o prefeito apareceu com aprovação de seis em cada dez eleitores, que avaliaram seu governo como ótimo ou bom.

João Vítor Xavier teve a maior coligação da disputa de 2020 e o maior tempo de TV, mas teve dificuldade em alavancar as intenções de voto.

Nos levantamentos do Datafolha, ele aparecia com 6%, na primeira pesquisa, do início de outubro, e passou para 9%, na pesquisa divulgada às vésperas da eleição —11% considerando apenas votos válidos.

O deputado estadual e jornalista de rádio questionou em um de seus programas eleitorais a coerência em medidas de Kalil frente à pandemia, nos últimos meses, citando questões como a retomada de cinemas, mas não de escolas, como exemplo.

Na sexta-feira (13), João Vítor publicou um vídeo nas redes sociais mostrando a avenida Vilarinho, ponto recorrente de alagamentos em dias de chuva na cidade, tomada por água. “Essa é a realidade que não apareceu na propaganda do Kalil. Ele entrou na Justiça para tirar do ar a nossa propaganda que falava a verdade sobre a Vilarinho”, disse.

A deputada federal Áurea Carolina (PSOL) tentou reunir uma frente de esquerda nas eleições, mas acabou tendo apenas UP e PCB na sua chapa. Vereadora mais votada em 2016, ela também foi a deputada federal com mais votos na capital em 2018. Neste domingo, ela não pode votar porque teve teste positivo para o novo coronavírus.

PT e PSDB, dois partidos tradicionais em Minas, apostaram em chapas puro-sangue neste ano, respectivamente com Nilmário Miranda, ex-ministro de Lula, e com Luísa Barreto, que foi secretária da gestão Romeu Zema (Novo).

Os apoios de Zema e do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tiveram pouco impacto nos números de seus candidatos, respectivamente Rodrigo Paiva (Novo) e o deputado estadual, Bruno Engler (PRTB).

Em uma live com Bolsonaro durante a semana, Engler disse que tinha esperança. “As pesquisas lá em Minas indicavam que a Dilma seria senadora, que o Zema nem para o segundo turno ia e que o Bolsonaro perdia para todo mundo no segundo turno. Hoje, o Zema é governador, a Dilma só fala bobagem no Twitter e não é nada, e o Bolsonaro é presidente."

Também concorreram na capital mineira Cabo Xavier (PMB), Fabiano Cazeca (PROS), Lafayette Andrada (Republicanos), Marcelo Souza e Silva (Patriota), Marília Domingues (PCO), Professor Wendel Mesquita (Solidariedade), Wadson Ribeiro (PC do B) e Wanderson Rocha (PSTU).

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