Descrição de chapéu Vida cultural na pandemia

Fotógrafo da série 'The Crown' prevê boom do audiovisual pós-pandemia

Para brasileiro, protocolos sanitários que possibilitam filmagem também atrapalham comunicação no set

João Leiva
Londres

O brasileiro Adriano Goldman, diretor de fotografia da série ''The Crown'', da Netflix, acredita que a pandemia vai trazer mudanças para a produção audiovisual. Algumas, ele já vivenciou durante a finalização da quarta temporada da série britânica. "As filmagens precisaram ser interrompidas no dia 14 de março, alguns dias antes do previsto", disse à Folha.

Quase toda a edição e finalização foi feita de forma remota entre abril e junho. Para Goldman, "não é o ideal, todo mundo prefere o presencial", mas a pandemia não deixou alternativa. O fotógrafo conta que fez diversas sessões remotas com o colorista da série e que a tecnologia ajudou a manter a qualidade ao longo do processo. "Eu tinha um iPad supercalibrado em casa, que me permitia acompanhar a correção de cor".

Ele avalia que as sessões de finalização remotas devem permanecer após a pandemia. E também o uso de máscaras para contato com atores. Essa experiência ele vive na produção de ''Star Wars Andor'', franquia da Disney.

Iniciadas em agosto, as filmagens têm um rígido protocolo de segurança. "Sou testado três vezes por semana, uso máscara o tempo todo, um visor para falar com os atores e as refeições são feitas em baias separadas", relata.

O fotógrafo diz que filmagens nessas condições são cansativas, com dificuldades de comunicação no set.

"Mas estou feliz por poder trabalhar em um momento em que tantos profissionais estão desempregados ou com suas atividades interrompidas", diz.

Com tantos protocolos de segurança, que encarecem as produções, ele imagina que parte das filmagens deve estar paralisada.

Goldman, porém, vê com otimismo os próximos anos. "Se a vacina nos tirar desse cenário sombrio, em 2021 e 2022 pode haver uma explosão no audiovisual. Tem muito projeto já financiado esperando para ir a campo."

Segundo o British Film Institute, a indústria do cinema no país movimentou R$ 24 bilhões no ano passado, gerando 84 mil empregos.

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