Descrição de chapéu Meio ambiente desmatamento

Conservação ambiental passa por lei rigorosa, investimento social e ruptura histórica

Debatedores divergem sobre gestão do ministro Ricardo Salles, alvo de inquérito do STF

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Guarulhos

O Brasil, que já teve destaque por políticas de conservação ambiental, poderia estar na dianteira da Década da Restauração de Ecossistemas, uma iniciativa da ONU, com início em 2021, para que os países-membros unam esforços de recuperação das áreas degradadas.

Mas o afrouxamento de políticas ambientais, como a retirada de poder dos órgãos de fiscalização, reduz o protagonismo brasileiro e, pior, faz com que o desmatamento cresça mesmo em áreas nas quais já tinha diminuído.

A análise é da coordenadora do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, Ludmila Pugliese de Siqueira, que participou do seminário Meio Ambiente na última quarta (2).

“A pandemia, que a gente imaginava que daria um refresco para essas áreas [degradadas], trouxe um efeito perverso; estamos vendo a oportunidade de passar com leis que afrouxam a preservação da vegetação nativa”, diz.

De perspectiva mais otimista, o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (DEM), afirma que mudanças estão em curso para alinhar o desenvolvimento econômico à sustentabilidade.

Diz, porém, que a herança histórica tem grande peso para regiões como a mato-grossense. Isso porque políticas iniciadas no final do século 19 incentivaram a colonização e produção em larga escala com desmatamento.

“Reconhecemos que tudo mudou numa velocidade estrondosa e que precisamos readequar todos os nossos modelos de desenvolvimento, fazendo com que a preservação ambiental esteja no eixo das estratégias”, afirma.

Cabe à iniciativa privada somar esforços junto a organizações da sociedade civil e ao poder público, acrescenta a presidente do Fundo JBS pela Amazônia, Joanita Maestri Karoleski. Fundado em 2020 pela multinacional, o fundo somará aporte de R$ 250 milhões nos primeiros cinco anos. Na primeira rodada, seis projetos foram selecionados e apoiados.

“Há uma oportunidade grande de desenvolver cadeias produtivas na Amazônia, além de destravar créditos para pequenos produtores da região, o que é um grande gargalo”, afirma. “A restauração do ecossistema caminha lado a lado com o desenvolvimento econômico e social da população que vive no bioma.”

Questionados por uma internauta, os participantes divergiram ao avaliar a gestão do ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente), alvo de um inquérito do STF sobre facilitação de contrabando de madeira.

O governador Mauro Mendes preferiu não comentar, mas emendou que Salles fez esforços para atualizar a legislação ambiental. “O excesso de burocracia dentro dos órgãos licenciadores é muito grande; isso precisa ser enfrentado. Sei que o ministro tentou e fez ações nesse sentido.”

Na contramão, Ludmila Siqueira afirma que “a política ambiental no Brasil está, no mínimo, equivocada”. Sobre o ministro, diz que falta exemplo positivo. “É necessário ter uma liderança clara e efetiva no discurso para que o Brasil volte a estar na liderança da agenda ambiental.”

Karoleski, do Fundo JBS, não avaliou a gestão, mas disse que o setor privado está se posicionando para buscar compromissos climáticos junto ao governo.


Assista ao seminário:

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