Geração Z é a mais insatisfeita com home office, afirma pesquisa

Embora sejam nativos digitais, jovens têm mais necessidade de interação social

São Paulo

As gerações Z, dos nascidos entre 1998 e 2010, e millennial, entre 1977 e 1997, tiveram as piores percepções sobre o home office, segundo pesquisa da startup Pulses, que trabalha com soluções para gerenciamento de pessoas.

Com a participação de 456 empresas brasileiras e mais de 130 mil profissionais, o levantamento, baseado em um questionário que circulou de março a junho, indicou que 64% os integrantes das gerações mais jovens se sentiram mais produtivos trabalhando remotamente contra 86% dos baby boomers, nascidos entre 1934 e 1964.

A insatisfação foi significativamente maior entre os mais novos: 45% dos profissionais da geração Z afirmam estar se sentindo mais ansiosos em home office, resposta dada por 36% dos millennials e apenas 15% dos trabalhadores da geração mais velha. Já para a geração X, dos nascidos entre 1965 e 1976, a ansidade atingiu 23% dos entrevistados.

O resultado da pesquisa derruba o estereótipo de que os baby boomers são avessos à tecnologia, afirma Renato Navas, sócio da Pulses.

"Essa geração passou por instabilidade econômica, pela ditadura. Eles foram precursores de movimentos que deram voz e vez. Isso trouxe maturidade, e essa maturidade está a serviço deles", afirma.

Apesar de serem nativos digitais, os mais jovens, por outro lado, estão acostumados com altos graus de interação social, com mais necessidade afetiva e também de reconhecimento. Isso fez com que o distanciamento social e as mudanças no mundo do trabalho tivessem um grande impacto psicológico.

Jovem trabalha de casa durante a pandemia
Jovem trabalha de casa durante a pandemia - Reuters

"Sabemos que o alto grau de incerteza é um fator que interfere na ansiedade", afirma Navas. Na opinião dele, o ambiente de crescimento das gerações mais jovens —mais estável política e economicamente— fez com que eles ficassem menos preparados para lidar com situações adversas.

Diferentemente das gerações mais velhas, preocupadas com estabilidade no emprego, Navas afirma que os mais jovens procuram identificação com cultura e valores da empresa e tendem a ficar menos tempo em cada emprego —entre quatro e cinco anos.

"Resultados são importantes, mas não a qualquer custo. Essa geração não é workaholic", diz.

E, além da preocupação com bem-estar emocional, Navas afirma que os mais jovens, sobretudo pelo momento de vida em que estão, buscam mais afirmação e reconhecimento dos chefes e colegas de trabalho.

"Com o distanciamento, pode vir uma ansiedade maior para mostrar serviço e ser relevante", afirma.

Uma forma de mitigar essa preocupação pode partir das empresas, por meio da criação de fóruns e canais para que funcionários conversem sobre assuntos diversos fora do escopo do trabalho, além da possibilidade de incentivar projetos conjuntos.

"A cultura das empresas é disseminada pela sutileza das relações. O digital dificultou a relação do dia a dia, quando o profissional fazia inserções entre reuniões, no café, nos corredores. Onde é o corredor agora?", diz Navas.

As companhias já perceberam a demanda de novas gerações por ambientes com mais transparência e mais agradáveis para o trabalho. Porém, nem só de escorregadores nos escritórios e happy hours se faz uma cultura aberta, afirma ele.

"Precisamos parar de falar só de boas práticas e trazer também os fracassos. Essa é a capacidade de se conectar. É importante que as empresas pensem em segurança psicológica, em passar confiança", diz.

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