Plataformas trocam fiador por aplicativo e permitem comprar ou alugar imóvel sem sair de casa

Empresas prometem agilizar procedimentos e facilitar busca pelo apartamento ideal

São Paulo

Nos últimos anos, o mercado imobiliário foi inundado por startups que se propõem a simplificar e agilizar os processos burocráticos que envolvem compra, venda ou aluguel de um imóvel.

Uma das pioneiras, a QuintoAndar, foi criada em 2013 para solucionar problemas dos fundadores, que eram engenheiros e cursavam o mesmo MBA nos Estados Unidos. André Penha não conseguia um inquilino para seu apartamento através das plataformas convencionais, enquanto Gabriel Braga tinha dificuldade para alugar um imóvel sem fiador.

“Eles voltaram ao Brasil e criaram a QuintoAndar para resolver todos os problemas referentes à locação de imóveis, de ponta a ponta, incluindo assessoria no contrato e administração”, explica Flávia Mussalem, gerente regional da startup, que já fecha 5.000 contratos de aluguel por mês, em 30 cidades do país.

Na plataforma, o locador não precisa de fiador, seguro-fiança ou depósito antecipado, basta ter o crédito aprovado pela startup. As visitas aos imóveis podem ser feitas pessoalmente ou online e os contratos digitais são fechados diretamente com o proprietário, sem ida ao cartório.

A empresa garante ao dono do imóvel que o aluguel será depositado em dia e oferece proteção no valor de R$ 50 mil para eventuais reparos no imóvel.

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Apartamento do VN Bela Cintra, empreendimento da Vitacon nos Jardins, em São Paulo, que pode ser alugado por dia, semana ou mês na plataforma Housi - Alberto Rocha/Folhapress

Quem anuncia exclusivamente na plataforma paga corretagem equivalente a um mês de aluguel e taxa de administração mensal de 8,5% do valor da locação. Para anúncios não exclusivos, a taxa de administração sobe para 9%.

A plataforma não exige fiador, mas manteve a figura do corretor de imóveis. “Eles são peças importantes e acompanham todas as visitas, previamente agendadas. O que fazemos é eliminar a parte burocrática de sua rotina, para que ele se dedique ao atendimento, que é o mais importante”, afirma Mussalem.

Neste ano, a Quinto Andar começou a se arriscar também no segmento de compra e venda de imóveis, serviço ainda restrito à cidade de São Paulo.

A Loft, por sua vez, nasceu em agosto de 2018 focada no mercado de compra e venda. Fundada por sete empreendedores, entre eles o húngaro Mate Pencz, atual presidente-executivo da empresa, a startup compra, reforma e revende apartamentos.

“Eliminamos um dos principais gargalos do mercado, que é a falta de imóveis prontos para morar. Quem procura pode se mudar em até 90 dias e quem vende recebe o pagamento em poucos dias”, explica o cofundador João Vianna.

Para quem quer adquirir um imóvel novo, a plataforma oferece assessoria jurídica e a garantia de que não há pendências legais. O preço é estabelecido por ferramenta própria, a Quanto Vale Meu Apartamento, que leva em conta o histórico da região e até do próprio edifício. Segundo a Loft, em média, proprietários anunciam imóveis com preços 43% acima do valor real de mercado, o que emperra muitos negócios.

O portfólio da startup inclui atualmente 300 apartamentos entre 25 e 330 metros quadrados, em 21 bairros da capital paulista. A previsão é chegar ao Rio de Janeiro e outras três capitais ainda no primeiro semestre de 2020.

A plataforma EmCasa também atua na compra e venda de imóveis, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Ela conecta proprietários, incorporadoras e compradores.

Depois de traçar seu perfil, o comprador recebe sugestões de unidades compatíveis, com fotos profissionais, e pode fazer tours virtuais antes de decidir quais deseja visitar pessoalmente. O atendimento é feito por assessores especializados, que acompanham o processo do começo ao fim, incluindo a burocracia referente ao financiamento e ao contrato.

Na Homer, o foco é conectar corretores imobiliários —o profissional publica um imóvel ou o perfil de um cliente de forma gratuita e o algoritmo faz a conexão com outros corretores que tenham imóveis ou clientes compatíveis.

Dessa forma, quem quer comprar ou vender um imóvel tem acesso a um número bem maior de ofertas, fazendo contato com apenas um profissional.

Em operação desde 2016, a empresa tem 42 mil corretores cadastrados, a maior parte nos estados de Rio de Janeiro e São Paulo.

Pertence à incorporadora Vitacon, a Housi oferece 15 mil apartamentos completos e mobiliados para locação, nas cidades de São Paulo e Porto Alegre, pelo tempo que o cliente quiser. Apenas 25% das unidades ficam em prédios construídos pela própria Vitacon.

O proprietário disponibiliza o imóvel e a startup se encarrega de equipá-lo e administrar o aluguel, prometendo rentabilidade até 40% maior do que no modelo convencional de locação, por mês. O preço médio é de R$ 150 por dia, tarifa que pode ser reduzida caso o locatário opte por contrato de longa duração.

Outra construtora que investiu em startup própria foi a MRV. A Luggo facilita o processo de locação de unidades em empreendimentos que a incorporadora lança exclusivamente para aluguel.

A empresa promete fechar contratos em algumas horas, tudo online e sem necessidade de fiador, com análise de crédito imediata. O cliente pode visitar o imóvel virtualmente e assinar contrato digital.

Por enquanto, há apenas dois empreendimentos no portfólio. O Luggo Cipestre, em Belo Horizonte (MG), tem 116 unidades de dois dormitórios, todas já ocupadas pelo aluguel médio de R$ 1.024, mais condomínio de R$ 200. Localizado em Curitiba (PR), o Luggo Ecoville dispõe de 88 apartamentos de dois quartos, 95% alugados por R$ 1.613 em média – o condomínio é de R$ 345.

Os próximos lançamentos, serão o Luggo Lindoia, em Curitiba (PR), previsto para março, e o Luggo Cenarium, em Campinas (SP), no segundo trimestre de 2020.

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