Carros futuristas perdem espaço no Salão de Tóquio

Protótipos viram exceção no evento, que se dedica mais a veículos equipados com tecnologias limpas

Eduardo Sodré
Tóquio

A Olimpíada de 2020 muda a rotina de Tóquio e dos demais eventos na cidade. O salão do automóvel, realizado a cada dois anos, tem parte de seu espaço tradicional ocupado por obras de adequação às competições esportivas. As montadoras se espalham por dois endereços.

A Toyota está em espaço próprio, onde mantém um parque e um shopping. Ônibus fazem a ligação entre os pavilhões, em uma viagem que leva 15 minutos.

Um dos destaques da montadora é o LQ, um carro dotado de inteligência artificial que se assemelha a um robô em forma e funções. 

“Queremos expandir a experiência do motorista para que o carro volte a se tornar amado”, afirma Daisuke Ido, responsável pelo desenvolvimento do protótipo.

Segundo a Toyota, o veículo consegue conversar com o motorista sobre seus assuntos favoritos. A capacidade de processar informações está instalada no carro, que não depende de smartphones conectados para a interação.

Contudo, o LQ é exceção no salão. Os conceitos futuristas têm menos destaque neste ano no Salão do Automóvel de Tóquio, que está mais focado em tecnologias limpas e no lançamento de novos modelos para o mercado japonês.

A Toyota, que relutou em investir na produção de carros 100% elétricos, mostra o Ultra Compact BEV, que pretende lançar no Japão na linha 2021.

O carro tem dois lugares e velocidade máxima de 60 km/h, para se enquadrar nas faixas mais baixas de tributação no Japão. A fabricante pretende posicionar o BEV como um veículo popular, para percursos curtos —a autonomia é de cerca de cem quilômetros. 

Uma das novidades apresentadas no salão vai chegar ao Brasil em 2020: a quarta geração do Honda Fit.

A versão mantém a possibilidade de configurar o banco traseiro em diferentes posições para levar passageiros ou bagagens. Agora, a cabine tem acabamento mais requintado, com combinações de cores e texturas. As unidades expostas no Japão têm painel com forração de tecido ou de material que imita couro, sempre combinando com o revestimento dos bancos.

As linhas do design retomam a fluidez das primeiras gerações, com contornos arredondados e vincos menos pronunciados que na versão vendida atualmente no Brasil. As lanternas, que eram verticais e ficavam ao lado do vidro traseiro, agora estão em posição mais baixa, na horizontal.

Mas a maior atração do Fit é o sistema híbrido disponível na versão e-HEV. O veículo tem bateria instalada junto ao eixo traseiro e dois motores elétricos, que trabalham separados, acoplados ao sistema de câmbio tipo CVT.

É um sistema diferente do Toyota Corolla Hybrid, em que há funcionamento em conjunto para mover o carro.

A Nissan exibe o protótipo que antecipa seu futuro utilitário esportivo elétrico. Chamado Ariya, tem um novo sistema de tração 4X4 que deverá ser adotado por outros carros da marca. O modelo deve chegar ao mercado na linha 2021.

A montadora também mostra o protótipo IMK, que adianta como será sua próxima geração de subcompactos. Esses modelos, com ares de minivan, são os veículos mais acessíveis do país.

O jornalista viajou a convite da Anfavea

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