Se fosse um país, Google seria 2º em receita publicitária

Faturamento foi de US$ 116 bi em 2018, ante gasto total de US$ 230 bi nos EUA, maior mercado de propaganda

Nelson de Sá
São Paulo

Estudo comparativo com os gastos publicitários registrados nos maiores mercados nacionais, realizado pelo portal alemão de análise de dados Statista, mostra o resultado do Google atrás apenas dos próprios Estados Unidos.

A receita publicitária do gigante americano de tecnologia em 2018 foi de US$ 116,3 bilhões, ante US$ 229,7 bilhões dos gastos totais com propaganda nos EUA e US$ 87,1 bilhões no segundo mercado, a China.

 

“Apesar das muitas atividades em que se engaja hoje a holding Alphabet, a maior parte de sua receita ainda decorre do Google e de seus negócios de publicidade, que fizerem dele a maior empresa de venda de anúncios do mundo”, escreve o Statista.

Em fevereiro, entre outras, a consultoria eMarketer projetou que o Google poderia perder participação no mercado publicitário digital nos EUA ao longo do ano, devido ao crescimento da Amazon, que ameaça também o Facebook.

Mas os resultados da Alphabet no segundo trimestre não confirmaram as previsões negativas. Depois de um primeiro trimestre desapontador, a receita de abril a junho apresentou um salto de 19% em relação 
ao mesmo período de 2018.

 

De maneira geral, os resultados das maiores empresas de tecnologia dos EUA no segundo trimestre foram positivas, inclusive Facebook e Amazon e até a Microsoft, a mais valorizada e que bateu seu recorde de receita trimestral.

 

Mas a sombra da Amazon se mantém. No mercado digital dos EUA, mais consumidores passaram a fazer suas buscas diretamente na plataforma de compras do que nas ferramentas de busca, setor em que o Google tem virtual monopólio.

De acordo com a consultoria Jumpshot, nas buscas relacionadas a produtos em 2018 nos EUA, 54% se deram diretamente na Amazon e 46% no Google, invertendo a posição que as duas plataformas apresentavam três anos antes.  

O desafio vem agora também do crescente escrutínio antitruste, não só em países como a França mas no Reino Unido e nos próprios EUA, que anunciaram investigações sobre o duopólio publicitário de Google e Facebook.

A Autoridade de Concorrência e Mercados britânica e o Departamento de Justiça americano avaliam pontos como o controle de dados dos consumidores pelas plataformas e se seu domínio afetou financeiramente outras empresas de publicidade digital.

Em março, a União Europeia multara o Google em US$ 1,7 bilhão por práticas publicitárias consideradas “ilegais” em sua unidade AdSense. Nos últimos dois anos, no total, a UE já multou o Google em US$ 8 bilhões por supostas ações anticoncorrenciais.

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