Empresa paulista de games é avaliada em US$ 1,3 bi e vira unicórnio

Wildlife recebeu aporte de US$ 60 milhões do mesmo investidor de Uber e Twitter

São Paulo

A empresa de games para celular Wildlife Studios, criada em São Paulo, recebeu investimento do fundo de capital de risco Benchmark Capital e foi avaliada em US$ 1,3 bilhão nesta quinta-feira (5), se tornando o 10º unicórnio brasileiro

O aporte na startup brasileira foi de US$ 60 milhões. O Benchmark é um dos fundos mais importantes de tecnologia de San Francisco. Injetou recurso em empresas como Uber, eBay, Twitter e Dropbox.

Discreta na comunicação, a empresa tem quase nove anos e boa reputação entre analistas de venture capital, que destacam seu lucro desde o primeiro ano, alta capacidade de monetização e de audiência dos jogos.

Outro ponto de atenção é a maturidade no negócio. Apesar de idade inferior a uma década, surgiu na esteira da popularização do smartphone, o que já lhe deu vantagem competitiva de adaptação ao digital se comparada a outras mais tradicionais.

Uma comparação de seu acerto é que a Rovio, dona do Angry Birds, precisou de mais de 50 tentativas até alcançar um caso de sucesso.

A expectativa é que o catálogo de jogos das dezenas de marcas da empresa alcance 2 bilhões de downloads até o fim deste ano.

Fundada pelos irmãos Arthur e Victor Lazarte, a Wildlife testa cerca de cem jogos por ano e dois ou três despontam no mercado. Entre os mais populares a maiores estão o Tennis Clash,  top 10 em mais de cem países, o Sniper 3D, o War Machine e o Zoopa. Há também opções para o público infantil.

Reprodução do jogo Zooba, da Wildlife Studios, que passou a valer US$ 1,3 bilhão
Reprodução do jogo Zooba, da Wildlife Studios; empresa passou a valer US$ 1,3 bilhão - Reprodução

O aporte do Benchmark é o primeiro de série A. A empresa é parceira do Bessemer Venture, que investiu nela em 2012.

A startup iniciou com um recurso próprio de US$ 100. A maior parte do faturamento vem de jogadores que pagam para reunir benefícios ou progredir nos jogos. Uma parte menor do faturamento decorre de anúncio publicitário.

Com 500 funcionários, seis escritórios (três nos Estados Unidos, um em São Paulo, um na Argentina e um na Irlanda), o crescimento anual é de 80% na maior parte das métricas, segundo Arthur Lazarte, um dos fundadores.

A discrição pública até então era porque a empresa estava “focada em crescer, não em aparecer”, ele diz. Com os US$ 60 milhões e uma maior visibilidade no mercado, o cofundador afirma que a startup pretende alcançar objetivos globais maiores.

“O investimento foi para estabelecer parceria com o Benchmark, que só investe em empresa que pode fazer [uma empresa crescer] dez vezes, cem vezes. Vai nos ajudar a entender como tem que ser esse caminho”, diz.

O caminho, segundo ele, é “deixar uma marca numa geração como a Nintendo deixou na nossa”. Arthur e o irmão têm 35 e 33 anos, respectivamente.

A maior fatia do faturamento global de games vem do mercado móvel, que movimenta quase US$ 70 bilhões ao ano, mais do que PC e console juntos, de acordo com dados da Newzoo, que monitora o segmento.

“O setor está superaquecido. Sempre foi, com Atari, PlayStation e Xbox. Mas o smartphone elevou a outro patamar. Todo ser humano é um jogador em potencial. Com celular na mão, é fácil que desenvolva isso”, diz Sandro Manfredini, presidente da Abragames, que reúne 140 associados no Brasil.

No país, 70 milhões de pessoas de declaram jogadores de celular, o que reflete a criação de empresas nos últimos anos.

Segundo a Indústria Brasileira de Desenvolvimento de Jogos Digitais, o mercado passou de 133 registros em 2013 para 276 em 2018. A projeção é que feche 2019 com mais de 300.

Já os unicórnios brasileiros, startups que passam a ser avaliadas no mercado em mais de US$ 1 bilhão, despontaram desde 2018, com estreia do aplicativo 99. O país vive fluxo positivo de capital estrangeiro e descolamento da crise dos últimos anos

A Wildlife se une à lista de 99, Nubank, Arco, iFood, Stone, Gympass, Loggi, QuintoAndar e Ebanx.

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