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Milão dá ao turista andarilho café, informação e água fresca

Passeio a pé pela cidade é guiado por cafeterias, fontes e totens com histórias de monumentos

Prédio com estátua na frente
Pátio da Pinacoteca de Brera, em Milão, com estátua que homenageia Napoleão Bonaparte - Adobe Stock
Michele Oliveira
Milão (Itália)

​A expressão italiana “andare a zonzo” significa vagar, caminhar sem rumo. E Milão, no norte da Itália, oferece as condições ideais para quem se propõe a conhecê-la a pé. A cidade é plana e suas principais atrações são concentradas no centro.

Além disso, sobre seus 181 quilômetros quadrados (São Paulo tem 1.527 quilômetros quadrados) se espalham fontes de água potável gratuita e totens com informações históricas que nenhum guia revela.

Apesar de ter tráfego intenso na região central, com carros, bondes, ônibus, motos e ciclistas disputando a superfície, a maioria respeita bem os pedestres que obedecem às regras básicas: atravessar na faixa, durante o farol verde e sem olhar para o celular.

As calçadas movimentadas, com lojas, serviços e restaurantes nos térreos dos prédios, ampliam a sensação de segurança, mesmo à noite.

Independentemente do percurso, é fácil encontrar pelo centro símbolos romanos, renascentistas e napoleônicos. Os 286 endereços mais icônicos de Milão são acompanhados por totens que explicam seus destaques em italiano e inglês. Não raro, o pedestre só descobre que está na frente de algo histórico quando se depara com um desses totens.

Ruínas, igrejas e museus convivem com os sinais de uma cidade que é polo industrial e financeiro da Itália, famosa pela moda e o design, e que vive um momento “frizzante”, após a Exposição Universal de 2015 e antes da Olimpíada de Inverno, em 2026.

O percurso sugerido aqui, do centro ao norte, representa bem essas várias camadas históricas de Milão. Um traçado cheio de possibilidades para quem decide desviar à esquerda ou à direita.

O ponto de partida é o Duomo, a catedral que começou a ser construída em 1386. Dali, o sentido instintivo é cruzar a Galleria Vittorio Emanuele 2o em direção à praça do Teatro alla Scalla, com a estátua de Leonardo da Vinci, que morou em Milão por quase 20 anos. Em 300 metros já se foram quatro dos lugares mais fotografados da cidade.

Se der vontade de usar o banheiro, quiser se proteger do calor ou do frio ou só beber um café, a doceria Marchesi 1824, no primeiro andar da galeria, é uma opção charmosa e com uma bela vista para o vaivém de gente. A cafeteria do Scala também é bonita e eficiente para uma pausa.

Em ambas, assim como em outros estabelecimentos de Milão, quem faz o pedido no balcão paga menos do que quem escolhe sentar-se à mesa com garçom —o café expresso servido “al banco” custa entre € 1 e € 1,50 (R$ 4,19 e R$ 6,29).

Ainda na praça do Scala, aproveite para beber água fresca na primeira “fontanella” de Milão, projetada nos anos 1930. Outras 564 estão espalhadas pela cidade, com fluxo de água potável permanente. Vale a pena carregar uma garrafinha na bolsa e se abastecer pelo caminho. 

Da lateral do teatro, pela via Filodrammatici, até a entrada no bairro de Brera, pela via Madonnina, o trajeto revela cenas corriqueiras da cidade, com engravatados apressados e moradores entrando e saindo de lojas, bancos, farmácias e mercadinhos. Uma vida milanesa banal.

O comércio vai ficando mais supérfluo conforme o pedestre se aproxima de Brera. A região, com ruas estreitas fechadas para carros, é perfeita para “andare a zonzo”. O entorno da Pinacoteca e da Accademia di Belle Arti reúne antiquários, galerias e lojinhas variadas, além de restaurantes com mesinhas para fora.

Embora mais comportado do que os relatos sobre as noites do século 20 —os adeptos de bares históricos podem gostar do Jamaica Bar, na via Brera—, o bairro ainda é frequentado por alunos da Accademia, professores e artistas.

Mesmo se a intenção não for visitar a coleção da Pinacoteca, com obras de Caravaggio e Rafael, vale atravessar o pátio interno e subir as escadas à esquerda. Em um dos cantos, o Caffè Fernanda, recém-reformado e redecorado, é atraente para uma pausa.

Na saída, circulando a Pinacoteca até a via Privata Fratelli Gabba, se alcança o Orto Botanico, um pequeno jardim criado no século 18 para uso dos estudantes de medicina e farmácia e até hoje à disposição dos universitários. Silencioso e fresco mesmo nos dias mais quentes, é outra boa parada gratuita para andarilhos.

Depois de perambular por Brera, o pedestre deve retomar a direção norte, onde se concentra a nova Milão.

Seja pela via San Marco ou via Solferino (para uma pausa ali, é recomendável a cafeteria Cafezal), a única obrigação é passar pela Conca dell’Incoronata, eclusa construída em 1496 com a participação de Leonardo da Vinci.

Depois, seguindo de vista a torre mais alta da Itália (a do banco Unicredit, inaugurada em 2014 com 31 andares), a caminhada continua pelo Bastioni di Porta Nuova até o Corso Como, outro calçadão fechado para carros.

Entre restaurantes e vitrines (sempre vale xeretar a loja 10 Corso Como), o percurso leva à praça Gae Aulenti, com outros novos edifícios e térreo com serviços, comércio e, claro, mais lugares para comer. Dali, é possível avistar o Bosco Verticale, condomínio residencial premiado por sua fachada com árvores. Um símbolo da Milão do século 21.

A jornalista mora em Milão desde dezembro e viu sua média diária de passos subir de 9.844 (2018) para 13.748 (2019)

Pacotes

R$ 458
3 noites em Milão, na Top Brasil Turismo 
Hospedagem em quarto duplo, com café. Sem aéreo

R$ 4.411 
6 noites em Milão, na CVC 
Hospedagem em quarto duplo, sem alimentação. Não inclui passeios. Com aéreo

US$ 1.410 (R$ 5.301) 
5 noites em Milão, na Maringá Lazer
Saída em 27 de setembro. Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui aéreo a partir de SP

O valor do dólar usado na conversão de pacotes desta edição é R$ 3,76

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