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Reforma urbana permite andança pela parte nova de Buenos Aires e a histórica

Mudança no trânsito da capital argentina facilita roteiro a pé de Puerto Madero até antigos marcos

Sylvia Colombo
Buenos Aires

Uma inovação urbanística com o objetivo de melhorar o trânsito no centro de Buenos Aires gerou também a possibilidade de um passeio a pé, rápido e sem ter de cruzar tantas vias cheias de veículos, em que se pode desfrutar, em uma só caminhada, a parte nova e a parte histórica da capital argentina.

A inovação urbanística se chama “paseo del bajo”, e consiste em criar uma via para veículos que passa pelo subsolo da região entre Puerto Madero e a Casa Rosada (sede do governo argentino).

 O trânsito por ali era de fato caótico, fazendo com que uma ida ao centro, ou a necessidade de cruzá-lo para ir a outros bairros com atrações turísticas como a Boca, tomasse muito tempo. Agora tudo ficou mais rápido.

Mas o efeito colateral mais interessante da reforma é que se pode iniciar um passeio, por exemplo, em algum local de Puerto Madero. Um restaurante, uma “parrilla”, um café. A reportagem recomenda o Museu de Arte Amalia Lacroze de Fortabat, nem sempre lembrado nos guias turísticos. 

Trata-se de uma bela coleção de arte iniciada por María Amalia Lacroze de Fortabat (1921-2012), abastada senhora portenha cuja família era dona da produtora de cimento Loma Negra. María Amalia gastou boa parte de sua fortuna comprando obras e encomendando o belo edifício do museu ao renomado arquiteto uruguaio Rafael Viñoly.

A coleção inclui obras de Marc Chagall, Salvador Dalí, Gustav Klimt, dos argentinos Xul Solar e Antonio Berni. Um dos principais destaques é um retrato da própria Amalia feito por Andy Warhol, em 1982.

O museu possui um restaurante com paredes de vidro que permitem ao visitante almoçar ou tomar um café olhando as pessoas caminhando ou correndo à beira d’água.

Dali, pode-se cruzar a pé todo Puerto Madero e, rapidamente, atravessar em direção à parte antiga. No caminho, se encontrará o Luna Park. O espaço é hoje mais usado para shows musicais, mas originalmente foi criado, nos anos 1950, para abrigar as populares lutas de boxe. O papa João Paulo 2º, quando esteve na Argentina, rezou uma missa aí.

Se o visitante quiser caminhar em direção à Casa Rosada, vai topar no trajeto com o imponente Centro Cultural Kirchner. O edifício não é novo, foi construído em 1888. Por muitas décadas serviu como a sede do Correio argentino. Dentro estão mantidos os móveis de madeira de época, onde as pessoas fechavam os envelopes, colavam selos, e os locais com as aberturas para enviar as cartas, tanto dirigidas às “províncias”, no interior da Argentina, como ao exterior. “Meus filhos nem sabem o que é mandar uma carta, vir aqui é uma aula sobre os costumes do passado”, disse o chileno Rosendo Yebra, 38.

Mas o CCK (como é conhecido), não é apenas um museu. Tem vários espaços de exposição e auditórios recém-construídos, que abrigam mostras, shows, concertos de música clássica e de tango (é preciso sempre checar a programação em cck.gob.ar).

Na frente do centro está uma monumental estátua de Juana Azurduy (1780-1862), uma heroína da independência da Bolívia recentemente resgatada por historiadores. 

Dali até a Casa Rosada há pequena subida, mas nada grave para quem estiver a fim de caminhar e com bons sapatos.

A Casa Rosada, que funciona como sede do governo nacional, também é um edifício histórico, que vale a pena conhecer, ainda que as visitas estejam restritas a algumas áreas. Originalmente, o rio da Prata chegava até suas bordas, mas aos poucos foi sendo afastado pelas obras que deram origem ao porto.
A primeira versão do prédio foi construída por ordem de um dos fundadores de Buenos Aires, Juan de Garay, em 1594. Nos séculos 18 e 19, reformas foram feitas para transformá-lo no edifício que vemos hoje.

Apesar de ter um museu desde 1957, a Casa Rosada conta desde 2011 com um novo espaço dedicado à história da Argentina e do próprio edifício. Trata-se do Museu do Bicentenário, cuja entrada é pela lateral da Casa Rosada. Reúne objetos e até carros que pertenceram a presidentes argentinos. Conta a história da cidade e do país paralelamente aos distintos governos. 

“Uma coisa a se reparar é que o museu mudou muito. Quando (a presidente peronista) Cristina Kirchner estava no poder, Perón e os governantes peronistas tinham mais importância. Agora vemos uma história em que há mais relevo à ideia do desenvolvimento. Cada presidente vai deixar sua marca, isso não é ruim. É um pouco como somos os argentinos”, diz Alejandro Caselli, 42, que visitava o local no último fim de semana.

É interessante o fato de o museu preservar parte da arquitetura original desse espaço, que era de uma aduana portuária. O local é usado também para discursos e recepções políticas.

Realizar esse trajeto a pé hoje está mais fácil por conta da obra do Paseo del Bajo, que, além de tirar o trânsito do meio do caminho do pedestre, também possibilita que se tenha uma visão mais ampla do que era a Buenos Aires de antes: por onde passava o Rio da Prata, por onde chegavam os viajantes, como a Casa Rosada surgia imponente desde o porto. E cada parada no roteiro ensina um pouco da história da cidade.

Entre uma coisa e outra, é claro, pode-se comer uma boa carne ou tomar uma boa taça de vinho num dos conhecidos restaurantes de Puerto Madero.


PACOTES

R$ 635 
2 noites em Buenos Aires, na Flot Viagens (flot.com.br
Hospedagem em quarto duplo, sem regime de alimentação. Inclui traslados. Sem passeios e sem aéreo

R$ 883 
2 noites em Buenos Aires, na Top Brasil Turismo (topbrasiltur.com.br)
Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui show de tango com jantar. Sem passeios e sem 
traslados. Não inclui passagem aérea

US$ 340 (R$ 1.278) 
4 noites em Buenos Aires, na Maringá Lazer (maringalazer.com.br
Saída em 20 de outubro. Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui passeio e passagem aérea a partir de São Paulo

US$ 351 (R$ 1.319) 
3 noites em Buenos Aires, na Schultz (schultz.com.br
Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui traslado, passeio pela cidade, tour de compras e entrada no cassino Puerto Madero (para maiores de 18 anos). Sem passagem aérea

R$ 1.439 
4 noites em Buenos Aires, na Azul Viagens (azulviagens.com.br
Saída em 7 de novembro. Hospedagem em quarto duplo, sem regime de alimentação. Inclui passeio pela cidade, traslados e passagem aérea a partir do aeroporto de Viracopos (São Paulo)

US$ 441 (R$ 1.658) 
3 noites em Buenos Aires, na RCA Turismo (rcaturismo.com.br
Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui passeio pela cidade, traslados e passagem aérea

R$ 1.783 
4 noites em Buenos Aires, na CVC (cvc.com.br
Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui passeio panorâmico, traslado e passagem aérea a partir de São Paulo

US$ 740 (R$ 2.782) 
 3 noites em Buenos Aires, na Interpoint (interpoint.com.br)
Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui traslados de ida e volta. Sem passagem aérea

US$ 799 (R$ 3.004) 
3 noites em Buenos Aires, na Schultz (schultz.com.br) 
Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui passeio pela cidade e traslados de ida e volta. Sem passagem aérea

O valor do dólar usado na conversão de pacotes desta edição é R$ 3,76

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