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Coma e beba feito um alemão em Pomerode (SC)

Cidade exibe marcas da colonização europeia em restaurantes e lojas de cerveja, tortas e embutidos

Marina Consiglio
Pomerode (SC)

Localizada a 170 km de Florianópolis, a pequena Pomerode ofusca Blumenau, sua vizinha maior e mais conhecida, quando o assunto é tradição alemã. 

Não é à toa que o município se refere a si mesmo como “pequena Alemanha” ou “cidade mais alemã do Brasil”

A imigração na região teve início em 1863, com alemães da Pomerânia, região que hoje pertence à Polônia —daí o nome da cidade. 

A conexão com o país europeu se mantém forte até hoje e aparece na arquitetura local. 

A cidade é dona do maior acervo de casas no estilo enxaimel fora da Alemanha —técnica de construção em que as paredes são feitas de hastes de madeira encaixadas intercaladas com tijolos. 

São cerca de 220 edificações no estilo. Parte delas está concentrada na chamada Rota do Enxaimel, trajeto de cerca de 16 km que pode ser feito de carro ou de bicicleta.

A prefeitura do município restringe a altura dos prédios novos —são todos baixinhos, com até cinco andares. Com isso, mesmo que edifícios de design moderno brotem na paisagem da região central, eles não encobrem as construções tradicionais. 

Além da arquitetura, outra atração de Pomerode é a mesa —sempre farta, como é a regra nos cafés coloniais que fazem sucesso por ali. Um bom lugar para se empanturrar com delícias típicas é a Torten Paradies (rua 15 de novembro, 350), que prepara doces como o apfelstrudel, cucas dos mais variados sabores e biscoitos pintados à mão.

Para descobrir a culinária quente dos colonos, uma opção é o Wunderwald (rua 15 de novembro, 8.444), que fica numa casa de enxaimel e tem atendentes com trajes típicos.

O lugar serve um combinado que reúne marreco recheado, bisteca de porco defumada, joelho de porco, salsichas, repolho-roxo com passas, chucrute, purê de maçã, mostarda e, ufa, raiz forte. Custa R$ 165 para duas pessoas, com sobremesa e couvert.

O calendário local destaca eventos anuais que giram em torno da culinária alemã, como o Festival Gastronômico, que reúne restaurantes da cidade, em julho, e a Festa Pomerana, uma espécie de Oktoberfest mais família, em janeiro —a de 2020 está marcada para os dias 15 a 26.

Pomerode também é casa da cervejaria Schornstein. Parada obrigatória para os fãs da bebida, tem sua fábrica instalada num prédio que abrigou um antigo mercado da cidade. Além de espiar os tonéis nos quais são preparados rótulos como Catharina Sour, dá para passar na loja da marca, que vende cervejas, kits para churrasco e iguarias da região.

Entre esses produtos, destacam-se os embutidos e defumados da Olho, empresa que produz linguiças de Blumenau, e o kraeuterkaese, queijo fundido em bisnaga da Pomerode Alimentos, uma espécie de patrimônio local.

Outra estrela nascida ali é a Nugali, marca de chocolates bean to bar —como são chamadas as empresas que acompanham o processo de produção da amêndoa à barra. Os produzidos ali não são muito doces, para privilegiar o sabor do cacau. Eles são feitos com manteiga de cacau e têm como único aroma o extrato natural de baunilha. Mais suave, a versão ao leite tem 45% de cacau —os amargos podem chegar a 80%.

Seja nas lojas ou nos restaurantes, o idioma alemão está por todos os lados. Pintadas à mão, as placas de ruas da cidade exibem nomes na língua, e palavras impronunciáveis (para quem não tem contato com o idioma) pipocam nos cardápios. 

O alemão não é só de fachada. Boa parte da população de Pomerode fala o idioma, que é, inclusive, ensinado nas escolas da rede municipal. Além disso, os mais velhos têm como língua original o pomerano, um dialeto que veio com os imigrantes. Por tudo isso a cidade merece mesmo o título de pedaço mais alemão do país.

A jornalista viajou a convite do Festival Gastronômico de Pomerode

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